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Cachimbo de Água

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A tela íngreme das tuas coxas

Francisco Luís Fontinha 19 Jan 15

Pintura_72_A1_Nova.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Só desejo fazer amor contigo

e embrulhar-me nos teus lábios,

desenhar círculos verdes

nos teus seios,

mergulhar dentro de ti

como uma nuvem apaixonada,

uma cidade embriagada

pelo silêncio do sexo,

a beleza de um olhar na tela íngreme das tuas coxas,

e à janela, um copo de uísque abraçado aos meus sonhos,

princesa das montanhas orgânicas do abismo...

perdoai-me o meu desejo e a minha vergonha.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 18 de Janeiro de 2015

 

Diário

Francisco Luís Fontinha 18 Jan 15

Não sabia que o teu corpo era um rochedo sem asas

que tinhas nas mãos um barco em papel

sem marinheiros

sem passageiros

depois

acreditei que habitavam no teu peito os beijos nocturnos dos pássaros

sem árvores

sem... sem marinheiros

a tua casa parecia uma cidade de mendigos

recheada de sombras

e cordas invisíveis

havia o ruído em pedacinhos gemidos dos teus lábios

o sangue que vagueava nas tuas veias...

dormindo como dormem os rios e as ribeiras

sem passageiros

depois...

sem árvores

despindo as montras iluminadas das ruas acrílicas

doentes

e cordas

acreditando nas tuas fáceis palavras

deitavas-te no meu cadáver ausente

encostavas a cabeça na ombreira da minha língua

e esperavas

sonâmbula

humilde

como uma porta apaixonada

fumávamos os cigarros dos jardins de vidro

entrelaçávamos as mãos no luar

e mais nada...

e esperávamos pelo acordar da manhã

trazias na garganta um petroleiro

sem gaivotas

a morte

os cães inquietos nos socalcos dos teus seios...

voavam como silêncios de nata

tenho pena do teu corpo de rochedo sem asas

a tília embriagada na sucata diurna da solidão

havia sempre no teu corpo

uma chama

claridade fundeada na lentidão dos círculos

que a madrugada desenhava no teu púbis

tínhamos a paixão na algibeira dos corvos

o negro

as paredes cintilantes do teu sorriso

voavam

alegremente em mim

como um diário sem rumo...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 18 de Janeiro de 2015

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