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Cachimbo de Água

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Francisco Luís Fontinha 8 Fev 15

São horas de acordar, a noite camuflada nas ombreiras da solidão levita entre mim e o espelho sifilítico da memória, sinto na minha algibeira a praia da infância, olho nos teus olhos o medo de me perderes..., e sabes que nasci perdido, nasci numa cidade de sombras, cacimbo e insónias,

Os teus gemidos,

Hoje?

Palavras travestidas de amor que os braços do prazer acariciam, amam, Hoje? Os teus gemidos de prata rodopiando a lareira do amanhecer, vou à janela, e grito o teu nome

Hoje?

Não existes, és como a cidade da minha adolescência, sem horários, sem morada fixa, ou... ou número de polícia, e as tuas cartas encontravam-me no amontoado de escombros com cheiro a poesia,

Eu, eu tremia,

São horas de pegar tua mão e beijá-la, como se beijam as cartas adornadas com corações e flores perfumadas, e eu

A Poesia,

E eu igual ao espelho que vive no meu quarto e me acompanha nas manhãs de Primavera,

O teu corpo sempre igual, escultura abstracta da caligrafia envenenada pelo sexo embainhado nas canções de viver,

A Poesia...!

Morreu,

E o poeta...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 7 de Fevereiro de 2015

Recordações tridimensionais

Francisco Luís Fontinha 7 Fev 15

Pintura_223.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

A tela vazia e só

no centro do alpendre doirado

as palavras embalsamadas

que se misturam nas cores adormecidas

por uma mão em descanso

com medo de conversar...

a cidade engolida pela sentença do amanhecer

dormir

e não acordar

quando as imagens se despendem da noite embriagada

não regressar aos teus braços

nunca,

 

até que a ponte se transforme em alegria

e a madrugada

comece a desembrulhar a tela vazia,

 

as equações do prazer

na ardósia eterna da paixão

o silêncio Deus envenenado pelas sombras dos lábios narcisados

a fala entranhada nas montanhas do abismo

e o corpo desenlaça-se do secreto olhar das amendoeiras em flor

a tela

nua

apaixonada pelas recordações tridimensionais do rio minguado

as areias húmidas sobrevoando o teu corpo de porcelana

até que a ponte...

e a madrugada...

apareçam para desembrulhar a tela vazia.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 7 de Fevereiro de 2015

 

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