Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cachimbo de Água

MENU

...

Francisco Luís Fontinha 11 Fev 15

Desenho_A1_18.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

O sangue quando disfarçado de texto, a ficção caminha nas veias quadrangulares da paixão, um finíssimo raio de Sol acorrenta-se ao papel emagrecido que as nocturnas cidades constroem nas arestas do sofrimento, há dor, há pobreza...

O amor?

Uma parábola esquecida no mural de xisto junto ao rio, lá longe os barcos embalsados, aqueles que ninguém ama, quer...

E não quer,

O coração apaixonado estoira, em pedaços de areia grita pelo regresso do mar, o mar aflito, grita pelas palavras enclausuradas da solidão,

Quer, ter de passear-se vestido com um lençol de medo, e as cornijas da insónia descendo até às pálpebras dos candeeiros a petróleo, o medo, a noite que se come e ejacula pequenas gotículas de silêncio, é tarde

Meu amor,

E amanhã o trim trim do triste caixote de madeira...

Hoje não estou,

Mas sonhava, desenhava figuras geométricas nos lençóis da tempestade, sacudia as infames equações do orgasmo, e

Silêncio...

Que roupa vou vestir amanhã, mãe?

Silêncio,

Trapos, restos de ossos, nas mãos o cansaço das sombras da aldeia acabada de se esconder dentro da eira granítica da solidão,

Partíamos...

Sem perceber porquê,

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2015

 

Estrelas de papel

Francisco Luís Fontinha 10 Fev 15

Desenho_A1_13.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

E voas sobre os telhados de vidro

desassossegas-te quando acorda a noite

e percebes que a tarde morreu junto ao mar

inquietas-te

constróis sorrisos fingidos

que só a madrugada compreende

e nunca tens medo de cerrar os olhos

e nunca tens medo das estrelas...

em papel

que eu te deixava sobre a mesa-de-cabeceira...

e voas

como as andorinhas travestidas de silêncio...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2015

 

Sobre o autor

foto do autor

Feedback