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Cachimbo de Água

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Francisco Luís Fontinha 4 Mar 15

Acrílico 50x60.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Mãe, como é o mar?

Lençóis de espuma, meu filho, silêncios de sombras poisadas numa tela virgem, aos poucos reaparecem as palavras e os riscos, a arte de amar e de navegar num beijo invisível, sem imagens, sem noite para chorar, as ruas completamente indiferentes às minhas tristezas, as cintilações dos versos descendo os socalcos imaginados pelas tuas brincadeira de menino,

Fui menino, mãe?

Cansei-me das palavras,

Escrita... nunca,

Mais

Amanhã restará uma única sílaba ao acordar, o espelho

Mais nada a acrescentar aos teus desejos, meu filho...

Cansei-me das palavras, mãe, das flores, dos sonhos e das cidade de vinil, cansei-me das mãos de porcelana da madrugada, sem janelas

O cubículo?

Morreu,

As janelas e o espelho completamente envergonhados pela partida do monstro das quatro cabeças, nada mais do que isso, literatura ao jantar, poesia ao pequeno-almoço, e

Morreu,

E alguns gladíolos apaixonados pelo jardim dos arciprestes, sabes? Falamos sobre isso, lembras-te?

Não, não...

Morreu.

 

 

(ficção)

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 3 de Março de 2015

 

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