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Cachimbo de Água

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As cavernas de incenso

Francisco Luís Fontinha 3 Mai 15

Não me ouves

Caminhas desorientadamente

Entre

O silêncio e a espada da morte

Lá fora vivem as sombras do teu cabelo

E a maré dos teus seios

Não invento amores

Nem paixões

Escrevo-as sobre as lápides madrugadas junto ao Tejo

O cheiro

Teu

O teu cheiro envenenado pela solidão

Das palavras

E dos olhares de vidro

Os charros fumados

Sem sabermos que amanhã

Segunda-feira

Nada para fazermos

Ou lemos

Ou desenhamos

Ou…

Ou construímos cavernas de incenso

Nas pinceladas nuvens do amanhecer

As palavras

Que nunca tive oportunidade de te dizer

Não o quero

Fazer

Ou…

Ou escrever…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 3 de Maio de 15

O último olhar

Francisco Luís Fontinha 3 Mai 15

O medo

Encarnado esqueleto esquecido dentro de um livro

As palavras voando em direcção ao rio

E Deus

A incógnita gaguejante dos sentidos desenhos em teu corpo

Nua

Despida

Apetecível

Como são as flores pela madrugada

Em despedida

A maré dos aflitos

Congelada sobre a toalha em linho

Adeus

Adeus corações de sangue

Com odor

A

Nada

Ele

Ela

Ele

A casa em chamas

O teu corpo mergulhado no meu corpo

Dois

Dias

Minutos

Segundos

Dois corpos inseminados pelo desejo

Percebia no teu olhar

O meu último olhar

Parvo

Eu

Sempre

Dias

Minutos

Segundos

O relógio galgando os teus seios

A espingarda

Sémen

Corpos

Dois

Madrugada

Sem madrugada

Amanhã

A

Nada

Ele

Ela

Ele

A casa em chamas

Como o teu púbis travestido…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 3 de Maio de 2015

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