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Cachimbo de Água

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Vento invisível no teu olhar

Francisco Luís Fontinha 22 Mai 15

Começo a ficar cansado destes corredores, do metro de superfície e das árvores, enquanto fumo, nem consigo ouvir os pássaros; ou já não existem pássaros, ou não querem falar comigo.

 

Sinto-me entalado entre o meu corpo de sombra e o silêncio,

Caminho na estrada da solidão

Na ânsia de encontrar a noite,

E pergunto-me…

Porque não é sempre noite?

Não regressam a mim

Nem os pássaros,

As árvores,

E apenas vivo com o medo poisado nos ombros,

Fingir,

Sorrir a cada sorriso,

Sem vontade de o fazer,

 

Sem vontade de sorrir

E viver,

Nas árvores,

Nos penhascos pintados de Primavera,

Quando é sempre tempestade,

Esta cidade,

Esta terra sem memória,

Cintilações nos meus braços

Das lágrimas envenenadas,

Conversar…

Chorar…

Ai os pássaros,

 

Ai as árvores,

Em sentido proibido,

Sem saída,

A minha rua,

A minha casa,

A minha estadia… por aqui, e ali…

 

Esqueci a minha morada,

Perdi todas as minhas palavras

No mar,

No rio

De sangue,

E sem vontade de falar,

E sem vontade de brincar

Nas árvores,

E com os pássaros,

Nos pássaros,

Abros a janela do meu peito…

E adormeço embrulhado no vento invisível.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

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