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Cachimbo de Água

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São horas de matar o mar...

Francisco Luís Fontinha 20 Jun 15

São horas de a cidade adormecer nos teus castrados lábios,

São momentos de esquecer

Os veleiros embriagados,

Sós no Tejo envenenado,

Sós no Tejo… desesperado,

São horas de te amar

Sabendo que és uma equação sem solução,

Um círculo de luz…

Desce a noite,

E

E esconde-se num qualquer coração de areia,

Entra na veia,

A saudade,

O silêncio desmedido depois de acordar,

São horas,

São horas de matar

O mar…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 21 de Junho de 2015

O homem da sombra

Francisco Luís Fontinha 20 Jun 15

O fim…

Enigma sensação de distância,

Os objectos são coisas vivas sem vida,

Imagens heliográficas com vista para o mar,

O estranho,

Negro o homem da sombra em frente ao espelho da morte,

Será que sente?

Sentir… o quê?

A sorte dentro do túnel de vento,

Sem asas,

Aerodinamicamente estável,

Seguro e alicerçado aos cinzentos medos da tarde,

 

Sem asas,

Será que sente?

Sentir… o quê?

As lágrimas da gente…

O fim…

O meio…

Cubos,

Círculos,

Ímpares equações embrulhadas no sono,

Drageias de esperança…

E nada,

E ninguém,

 

Consegue afagar esta criança…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 20 de Junho de 2015

Manhã cúbica

Francisco Luís Fontinha 20 Jun 15

Não sinto o teu corpo

Nestas gélidas noites de Primavera,

Percebo que há nas tuas palavras uma equação de insónia,

Um círculo de dor

Voando na manhã quadriculada,

Um quadrado dormindo na calçada,

Sempre em mim o rio,

Sempre de ti o sorriso da infortuna,

As tuas fotografias alicerçadas a uma incógnita sombra de cola,

Os cheiros de Angola,

É Primavera,

Voando na manhã…

Cúbica,

E silenciada pela poesia,

Como se fosse o teu corpo em despedida…

Como se fosse o teu corpo em partida.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 20 de Junho de 2015

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