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Cachimbo de Água

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Francisco Luís Fontinha 8 Ago 15

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 (Francisco Luís Fontinha - Alijó)

A faca do silêncio

Francisco Luís Fontinha 8 Ago 15

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

Canso-me dos teus olhos

Quando a fotografia se suicida na madrugada indolor,

Não tenho medo da noite,

Da morte…

Mas canso-me dos teus olhos

Semeados numa seara de vento,

Sem nome,

Sem gente,

Há na tua mão uma triste flor,

Com pétalas descalças,

E nos lábios…

Transportam dor,

 

Ai meu amor…

Os rochedos da insónia alicerçados aos cortinados do sofrimento!

 

Canso-me,

Dos teus olhos impregnados nas minhas palavras,

São tão tristes… os teus beijos

Dançando na barcaça do “Adeus”,

São tão tristes os teus desejos,

E os desenhos esquecidos no teu corpo… em movimento,

 

(Ai meu amor…

Os rochedos da insónia alicerçados aos cortinados do sofrimento!)

 

Se há noite… meu amor…

Que me leve…

E me faça adormecer,

Para sempre,

Como os teus olhos…

Que me cansam… e cansam…

 

E me fazem chorar

Quando me olho no espelho da manhã…

Sabes, meu amor!

 

(Ai meu amor…

Os rochedos da insónia alicerçados aos cortinados do sofrimento!)

 

O silêncio é uma faca cravada no meu peito.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 8 de Agosto de 2015

No teu corpo viverei…

Francisco Luís Fontinha 8 Ago 15

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

No teu corpo viverei…

Sentado numa esplanada,

Ouvindo os teus gritos

Cansados da sombra sem regresso,

Do teu corpo…

As lágrimas das montanhas apaixonadas,

Do amor,

O Sol,

Vestidos de negro,

Fugindo das madrugadas,

No teu corpo… desenho o cansaço das algemas imaginárias,

Embainhadas nos rochedos do medo,

 

Como amo o silêncio da noite

E as ruas assustadas,

 

Ouvido,

Ouvido os teus nostálgicos gemidos,

Entre gritos

E palavras famintas,

 

Não sei quem fui

Quando escrevias amo-te no muro da saudade,

Corria em direcção ao mar,

Inventava sorrisos nos vidros embaciados…

 

Ouvindo,

E gritando…

 

Os teus gemidos encarcerados nas algibeiras do sono,

 

Nunca fui amado…

 

Ouvindo,

E gritando…

 

Os Cacilheiros embriagados,

 

A solidão entre círculos de espuma

E gaivotas quadriculadas…

Hoje, sou um rio que não consegue encontrar o mar,

Um barco em lata calcinada,

 

Amo-te,

 

Sinto a alegria escondida dentro dos meus livros,

A saliva encardida dos abutres desnorteados,

A vida…

É uma fotografia acorrentada ao passado,

Como são todos os esqueletos abandonados,

Sentava-me à porta do engate,

Corria como um animal em Cio…

Do rio,

A tua esfarrapada desculpa…

OCUPADO,

Sem tempo,

… No teu corpo viverei…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 8 de Agosto de 2015

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