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Cachimbo de Água

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A última maré do dia...

Francisco Luís Fontinha 19 Fev 15

Desenho_A1_052.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

O destino do homem sem cabeça,

mergulhado no silêncio dos beijos enlouquecidos,

às vezes é mendigo...

às vezes... tem medo do perigo,

e foge,

e esconde-se no volátil vulcão da pele em flor,

sem o saber,

apaixona-se

e morre

num jardim perto de casa,

é dono da rua infestada de pássaros

que habitam nas mãos das amoreiras,

 

Erguem-se as árvores nuas da saudade,

passeiam-se como estátuas nos subúrbios das pálpebras do desejo,

abraçam-se

e abraçam-se...

como loucos cubos de vidro

entranhados no luar,

o corpo emagrece

e voa sobre as calçadas de aço...

podíamos construir na noite uma jangada de espuma,

adormecer no olhar da última maré do dia...

e o destino do homem sem cabeça

nas arcadas invisíveis do infinito...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

 

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