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Cachimbo de Água

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Apressadamente

Francisco Luís Fontinha 10 Mar 16

Caminho apressadamente
Para os teus braços invisíveis
Regressa a Primavera e depois o Verão
E nós sem amanhecer
Nem vontade
De desenhar a alvorada no chão…
O teu corpo sente
O meu corpo mente
Velozmente
As palavras de escrever
Caminho apressadamente
Com vontade de te ver
Sentir em mim o sentir
No brincar das tuas mãos em liberdade
Com o poema de sorrir…
Caminho
Caminho apressadamente
Como um livro a fugir
Da fogueira do adeus
E do vento
E da chuva
E do beijo a cair
Sobre os lençóis da madrugada
A penumbra espuma
Saltitando à janela
Sem bruma
Nem desejo que segure nela…

Francisco Luís Fontinha
quinta-feira, 10 de Março de 2016

O desejado silêncio

Deitado no obscuro beijo

No centro do círculo da solidão,

A cidade ainda dorme,

Provavelmente acordará sem perceber que o amor está acorrentado aos rochedos da montanha do “adeus”,

Não importa,

Deixá-lo estar até que a noite caia

E se erga a escuridão ao pescoço da morte,

Batem à porta,

Certamente não é o carteiro…

Porque durante a noite não recebo cartas tuas,

Será o desejado silêncio

Deitado no obscuro beijo

No centro do círculo da solidão?

O cubo junto ao mar,

O raio da circunferência quase a desfalecer…

E a maldita cidade

Dorme,

Abstrai-se do meu corpo

Como todas as figuras geométricas clandestinas do meu caderno quadriculado,

A janela encerrada desde a tua partida,

Os livros em finíssimas fatias de melancolia esperando o teu regresso,

E os papéis escritos…

No cesto triangular onde guardo os poemas perdidos,

E ninguém, e ninguém disponível para assassinar a tristeza

Que habita esta casa…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015

Os teus lábios são doces de amêndoa sibilado

Francisco Luís Fontinha 21 Dez 15

Os teus lábios são doces de amêndoa sibilado

Em translação à volta do desejo

Nos teus lábios nasce o beijo

Do corpo degolado,

Há palavras infinitas que só a tua boca conhece

Madrugadas famintas das janelas cremadas

O poeta nunca esquece

As tuas mãos em mim alicerçadas,

Os teus lábios são doces de amêndoa sibilado

Galgando a montanha do silêncio anoitecer

Os teus lábios, meu amor, são pergaminho cansado

De tanto eu nele escrever…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2015

Carta a ninguém

Francisco Luís Fontinha 1 Out 15

Vagueio no teu corpo como se eu fosse um mendigo

Em busca de pão,

Paz

E desejo da liberdade,

Quando regressa a noite ao teu olhar

Todas as estrelas se suicidam no teu sorriso,

E as minhas palavras ardem nos teus lábios…

Vagabundo e apaixonado,

Mendigo e iletrado,

Pássaro,

Avião,

É tudo o que eu sou… em busca de pão…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015

Silêncios da Primavera...

Francisco Luís Fontinha 23 Mar 15

Os dias nefastos da melancolia

a palavra envenenada

na boca de uma caneta

triste

e só

o círculo do desejo

desenhado na ardósia noite do sonâmbulo beijo

os dias

do enforcado movimento pendular

contra a janela do meu quarto

as sombras

brincam nas almofadas da solidão

 

dás-me um beijo

e partes

como uma imagem

ao despedir-se e o vento a leva

sem perceber

que a morte

é o fim da fotografia

negra

encurralada nas ruelas do abismo

demoro-me

e negra

quando acordam os silêncios da Primavera...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 23 de Março de 2015

farrapos de vidro...

Francisco Luís Fontinha 15 Mar 15

o engate suspenso nos anzóis da tarde

à mão

regressa a caneta da solidão

e há nuvens de papel nos olhos do poema

és livre

de voar

sobre os corações de xisto

que habitam as imagens a preto e branco

do Douro

navegar

subir ao luar

e,

 

e abraçar-se aos vulcões de areia

dos homens

e das mulheres

de sombra,

 

imaginar

desenhar nas entranhas pálpebras de amar

o silêncio do beijo

à janela

o mar avança e nos leva

somos dois

talvez...

três

o engate

à mão

suspenso nos anzóis da tarde

a tarde... a tarde dos farrapos de vidro...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 15 de Março de 2015

Pincelados corações de pólen

Francisco Luís Fontinha 6 Mar 15

O acrílico beijo

na tela do desejo

sem medo de perder

o acordar da madrugada

ele abre a janela

e percebe que afinal...

a madrugada é um fantasma

uma coisa de nada

sombras

silêncios

e

e abraços na escuridão

 

ela sabe que os dias morrem

e nas aldeias de granito

habitam pássaros de papel

coloridos

aventuras

sem destino

acorrentados aos gritos da caverna do adeus

ela sabe que os dias

poucos

nenhuns

absorvem a luz

disparada por um olhar invisível

 

e no entanto

o beijo transforma-se em fotografia

negra

como o poço da morte

na infância de uma cidade perdida

há nos seus lábios abelhas

e pincelados corações de pólen

e voam

poucos

nenhuns...

homens conseguem entranhar-se no seu corpo

e ela desaparece em cada avenida do sofrimento.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 6 de Março de 2015

Movimento helicoidal

Francisco Luís Fontinha 3 Fev 15

Pintura_221.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

O movimento helicoidal do beijo em silencio

o aço desperdiçado junto ao cais dos arrozais

barcos todos mortos

peixes...

nem ais...

âncoras de xisto galgando os semáforos da loucura

que só a cidade consegue alimentar

um desenho é amor

ou amam-se as palavras

e os cigarros improvisados

(pobres... não os há – dizem eles)

antes do dia acordar...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2015

 

Esta noite

Francisco Luís Fontinha 10 Jan 15

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Esta noite desconhecida

quando há palavras que se entranham no meu peito

estas veias onde correm avenidas

e gajos sem jeito

e néones travestidos de solidão

esta noite

a tua noite

sem janelas

sem... sem entardecer

e no entanto

sou laminado pelos teus lábios

incandescentes

 

a arder...

 

esta noite

vou voar no teu silêncio

(se ainda existir em ti silêncio)

caminhar na neblina

como se eu fosse um fio de luz

em translação

as cinco primeiras pedras do amanhecer

cinco apenas

nas palavras estonteantes

mergulhadas em cubos de gelo

e...

e... cabanas de porcelana.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 10 de Janeiro de 2015

Lágrima de fogo

Francisco Luís Fontinha 22 Dez 14

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Um tentáculo de gelo beija os teus lábios

desce do teu olhar a lágrima de fogo

que vai incendiar o meu peito...

há vozes desorganizadas em revolta

há crianças que esperam o regresso do circo

e a cidade se transforma num manicómio com paredes de vidro,

 

O sino da Igreja grita

chora...

o vento despede-se dos cabelos brancos em desalinho

são horas da cidade adormecer

correr os cortinados do destino...

e talvez amanhã, alguém... consiga destruir o manicómio com paredes de vidro.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

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