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Cachimbo de Água

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O silêncio dos mortos

Francisco Luís Fontinha 13 Ago 17

Tenho medo da tua imensidão,

Da fúria das tuas mãos quando o vento se agacha no chão…

E pede perdão,

 

Pára,

Escuta o silêncio dos mortos, e dos sonâmbulos abandonados,

Ergue-te e cresce na floresta dos vivos,

Enquanto a cidade se prostitui nos horários nocturnos da madrugada,

Pára,

Escuta o silêncio dos mortos, e dos pássaros envenenados,

E da paixão,

A húmida terra lapidar do desassossego…

 

E crava no peito uma canção,

Abraça o coração…

 

Das falésias adormecidas.

 

Tenho medo da tua imensidão, e dos acrílicos desenhos desgraçados.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 13 de Agosto de 2017

A arte de sofrer

Francisco Luís Fontinha 12 Jun 17

Na arte de sofrer,

Quando dentro de mim arde um corpo esquelético, e sem o saber,

Ele ilumina a noite que se cansou de crescer,

 

Tenho nas raízes solares a vontade de partir…

Caminhar naquele rio absorvente

Que engole todos os corações,

Tenho nas mãos o sangue valente

Das marés e dos canhões…

Que me obrigam a sorrir,

 

Na arte de sofrer,

Deixo para ti o prazer…

O prazer de escrever,

 

No prazer de morrer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 12 de Junho de 2017

Jangada de Insónia

Francisco Luís Fontinha 3 Jan 15

(Desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Oiço Oumara Moctar Bambino,

o sémen invisível do sono alicerça-se aos lençóis de porcelana,

habito um terceiro andar reumático,

romântico,

loucamente apaixonado,

brinco com os círculos do desejo,

tenho um sonho,

acordo e sinto-me um palhaço de vidro,

sem beijos,

sem... sem abrigo

Oiço Oumara Moctar Bambino,

e uma jangada de insónia poisa no meu ventre...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 3 de Janeiro de 2015

A minha rua

Francisco Luís Fontinha 13 Dez 14

Esta rua que me alimenta

esta rua que me corre nas veias

esta rua sem sombras

esta rua sem candeias,

tem plátanos embalsamados

tem gaivotas em papel

esta rua que me alimenta

esta rua dos silêncios embriagados,

das plumas enfeitiçadas

esta rua construída com sorrisos de vento...

a minha rua tem casas

e... e flores em sofrimento,

esta rua das noitadas

e dos cinzentos olhares com odor a poesia

na minha rua habitam canções...

e palavras em agonia,

ai... esta rua dos alentos em evaporação

e das barcaças em melodia

esta rua é vida

... esta é a rua da fantasia,

sinto a sinfonia

das tristezas disfarçadas de madrugada

esta rua nunca está cansada

esta rua... esta é uma rua apaixonada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 13 de Dezembro de 2014

Equação de amor

Francisco Luís Fontinha 1 Dez 14

Arcaico silêncio que finge adormecer nas minhas mãos

saboreiam o teu corpo pincelado de luz

como a névoa pálpebra de papel voando sob o púbis da madrugada

a mendicidade dos teus lábios quando o meu espelho se parte em teu sorriso

o verme poema enrolado nos teus seios...

em curvilíneos cansaços

traçando lágrimas de sémen no triângulo nocturno da insónia

da janela... o teu perfume em pequeníssimas lâminas de suor,

 

Uma equação de amor morre na quadriculada folha embriagada,

 

Arcaico silêncio que finge...

minhas mãos indiferentes à parábola do teu cabelo

se existes... é porque pertences às telas invisíveis do amanhecer

como andorinhas ancoradas às cordas da solidão

que ardem

e se evaporam...

 

Uma equação de amor morre na quadriculada folha embriagada,

 

E tu não percebes que há na matemática a paixão secreta do desejo

que na ardósia tarde junto ao rio

o teu corpo pertence-me na plenitude simetria de uma canção

que te revoltas

nos meus braços

como uma criança em distantes birras...

desenhando círculos na areia

ou... ou escrevendo sílabas numa rua sem saída.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

Simplificado

Francisco Luís Fontinha 29 Nov 14

Simplificado orgasmo sem sentido,

o prazer da escumalha insónia

quando o clitóris se enfurece

e foge... em direcção ao mar,

simplificado sorriso das tuas fantasias disfarçadas de cidade,

transeuntes em fúria,

nomes desorganizados

nos braços de estátuas embriagadas,

soníferos sofrendo quando a noite se despede do silêncio,

a morte em fumo

disfarçado de cigarro... a morte

o insignificante abutre na canção da estória...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 29 de Novembro de 2014

Insígnia da paixão

Francisco Luís Fontinha 22 Nov 14

Queimaste a insígnia da paixão no sonífero adeus da tempestade,

dormes profundamente só...

e te alimentas das insignificantes metáforas da saudade,

trazes nas lágrimas uma canção por escrever,

um poema se ergue na tua mão,

e sem o saberes...

habitas na calandra encaixotada do sofrimento,

não sei se algum dia serei teu,

não sei... não sei se lá fora há sol ou escuridão,

se é dia,

noite...

ou... uma mistura de tons com odor a infância,

um barco encalha nos teus seios,

transpiras... gemes as sílabas do prazer,

esperas pelo nascer da madrugada,

quando hoje não haverá madrugada,

quando hoje... não acontecerá nada...

se é dia,

noite...

ou... ou um pincel disparado pela espingarda da solidão,

e se entranha no teu sorriso...

e no entanto,

queimaste a insígnia da paixão,

como quem apaga um cigarro depois de te amar.

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 22 de Novembro de 2014

Desejo não desejando

Francisco Luís Fontinha 25 Jun 14

Desejo o coração de arroz doce que habita em ti,

desejo-te sabendo que é impossível desejar-te,

amo-te sabendo que...

é impossível amar-te,

acaricio-te sem te acariciar,

poema vagabundo,

texto de ficção não revisto,

palavras,

palavras de vidro espetadas nas tuas pálpebras de azoto,

desejo o coração, aquele que está encerrado na caixinha de vinil,

transparente como as lágrimas do luar,

perdidamente triste esperando o sol junto ao leito do rio,

 

Desejo não desejando,

 

Desejo o teu coração como desejo os versos de uma canção,

melódica,

poética...

apaixonada pelo agreste amanhecer dos dias sem madrugada,

 

Desejo não desejando,

desejar que me desejes, desejar que amanhã um relógio de pulso se canse,

e grite...

morra o tédio,

 

Desejo não desejando,

 

O coração de arroz doce que habita em ti,

os pedacinhos de saudade que voam sobre o Tejo adormecido,

desejo todas as pedras da calçada,

aquela..., aquela onde andei perdido,

desesperado,

quando cambaleava ao som de uma prostituta sem nome,

deitava-se e..., desejava-te não o sabendo,

havia lâmpadas no teu olhar,

havia livros nos teus braços,

nos seios teus de encantar...

Desejo não desejando,

que um dia apareças... apareças sem me avisar.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Gaivota “AMAR”

Francisco Luís Fontinha 14 Jun 14

(para Oumara Moctar Bambino)

 

 

Não me encontro neste labirinto de palavras,

precisava de uma lanterna invisível, pequeníssima e frágil,

uma lanterna que me guiasse quando viajo nos olhos de gaivota “AMAR”,

perco-me, desejo-me e desejo-te, quando te transformas em mar, e eu,

e eu, eu me transformo em neblina sem som, em carcaça encalhada...

não me encontro, não, não existe no teu sorriso uma canção,

 

(oiço o Oumara Moctar Bambino)

(Feliz porque o oiço)

 

Não me encontro e perco-me nos teus lábios, meu Amor sonâmbulo,

sou um ponto algures no espaço, em rotação,

sei que das tuas lágrimas crescem gaivotas de “AMAR”,

gaivotas lindíssimas, gaivotas com sabor a mel,

gaivotas..., gaivotas de papel,

como silêncios embebidos nas nocturnas madrugadas sem nome,

 

Insignificantes, estes braços que te abraçam,

estes olhos que te absorvem como as tempestades de paixão,

sou quase engolido pelo teu coração,

feliz... feliz porque o oiço, porque... porque a música dele é poema vadio, é poema rebelde,

porque o oiço, porque a sua música me provoca uma translação,

e voo, e voo... até aos sonhos do Tejo,

não me encontro, não tenho medo das tuas coxas quando ele entra em nós, e somos dois pássaros em suspensão, brincando nos lençóis da tua pele, e voo...

até me cansar,

e voo... voo para te encontrar,

gaivota, minha gaivota de “AMAR”

minha gaivota com sabor a Aurora Boreal...

… minha gaivota irreal,

 

(oiço o Oumara Moctar Bambino)

(Feliz porque o oiço)

 

Não me encontro, e só te observo em sonho,

imagem transparente dos espelhos embriagados,

não, não me encontro, não... não no centro das palavras,

objectos, cacos, cacos e carcaças apodrecidas...

e esqueletos doirados das tardes intermináveis,

tardes em que o teu corpo era poesia...

 

POESIA NUA DESPIDA... POESIA, POESIA EM DESPEDIDA.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 14 de Junho de 2014

Marinheiro de Luz

Francisco Luís Fontinha 24 Dez 12

Achas-te superior

indigente

com falta de amor

como muita gente,

 

achas-te superior

rainha das coisas boas

montanha de luz

achas-te uma flor

uma simples flor

com pernas de cansaço

e braços

aos abraços

oiço o balançar da porta de entrada

truz truz truz

ninguém será certamente para me dar nada

nem uma simples corda de aço,

 

um prato com sopa de legumes encarnados

vinho do porto velho como os pássaros com asas de mar

(achas-te superior

indigente

com falta de amor

como muita gente)

e às vezes

multiplicam-se as manhãs de inverno

cresce o inferno

maré de marinheiro

quando eu sentado no barbeiro

penso solitariamente nas nuvens de barbear,

 

sinto-te em espuma no meu rosto envelhecido

e das saudades

as pequenas saudades

correr amar correr livremente

e voar

e amar

voar até cair nos teus braços

abraços

uma corda de aço

do tão construído cansaço

a espuma de ti mergulhada no meu simples desenho da alvorada

e tão triste e tão só tudo aquilo que foi esquecido,

 

achas-te superior

indigente

com falta de amor

como muita gente,

 

mas continuarás a ser uma resma de palavras

sem nexo

moribundas quando a mergulhada canção de amor

não é uma flor

é uma canção

que sofre

que dói

e mói

as pedras finas da calçada dos amores proibidos

e dói

mói

a doçura tristeza do desejo.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

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