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Cachimbo de Água

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Cidade sonâmbula

Francisco Luís Fontinha 4 Jul 17

Atravesso a cidade amedrontada,

Finjo não existir nas ruas sem saída,

A morte tem o seu encanto,

A partida… o não regressar nunca mais,

Atravesso a cidade sonâmbula que há em mim,

Deito-me no rio…

 

Sofro,

Choro,

 

E dizes-me que amanhã serei apenas poeira envenenada pela saudade,

 

A viagem às catacumbas do sono,

Invento desenhos no teu corpo,

Viajo incessantemente na sombra dos aciprestes…

E toco com a mão a fresca água da tua nascente,

 

Sofro,

Choro…

 

Enquanto houver luar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 4 de Julho de 2017

Os desencantos da manhã

Francisco Luís Fontinha 3 Jun 11

Encantam-me os desencantos da manhã

O abrir da janela e ao fundo da rua

O mar

A manhã despida nua

 

E na espuma da ondas

O silêncio de estar sentado

O desencanto das ruas em construção

A sombra que me aperta o peito amargurado

 

Um peso de escuridão

Dentro do meu corpo suspenso num baloiço

O meu corpo tocado pelo vento

O meu corpo um coração que já não oiço

 

Ferido velho espetado num sorriso de mendigo

E da manhã vejo crescer a tempestade

As nuvens que se deitam na minha boca

A manhã em desencanto sem vaidade

 

A manhã ao fundo da rua

E num candeeiro uma sombra de luz emagrecida

Esqueletos da noite

Esqueletos sem vida.

 

 

Luís Fontinha

3 de Junho de 2011

Alijó

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