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Cachimbo de Água

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Palavras sós

Francisco Luís Fontinha 12 Ago 17

Palavras!

Enigmas suspensos na madrugada,

O farol avariado, os barcos cerram os olhos, e escondem-se na neblina,

Palavras a arder,

Palavras escritas no fogo da paixão,

Quando a saudade morre devagarinho…

Os poemas despem-se das palavras,

Os livros adormecem sem os poemas,

E o papel amarrotado da tua pele… sedução encantada,

Palavras!

Tristes versos abraçados a tristes noites de Verão,

Sentidos pêsames, a partida para o outro lado do Universo,

E as estrelas amarguradas em fuga para o Infinito,

Verbo,

Os latidos desorganizados dos teus gemidos… quando o rio se suicida nos rochedos,

Em transe,

A ausência delas quando eu sentado espero pela alegria,

Ressequida,

Mortas todas,

As pedras que te atiro…

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 12 de Agosto de 2017

Cansaço

Francisco Luís Fontinha 22 Jun 17

Canso-me das tuas palavras, meu amor,

Canso-me do teu sorriso… quando sou alicerçado aos rochedos e na minha vida não existem sorrisos,

Canso-me do teu olhar, meu amor… quando regressa a noite e odeio um simples olhar,

Canso-me da riqueza e da beleza das coisas… mesmo as mais belas,

Canso-me da tua sombra quando o orvalho rompe pela manhã e nas tuas mãos trazes o lenço da saudade,

Canso-me de mim, meu amor,

Canso-me dos meus poemas, meu amor… quando os meus poemas são apenas palavras desconexas e perdidas no vento,

Canso-me do silêncio, meu amor… quando amo a trovoada e a chuva de Verão,

Canso-me dos rios e dos montes,

Canso-me do mar e da infância…

Canso-me tanto, meu amor…

Canso-me tanto, meu amor.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 22 de Junho de 2017

O chefe da estação

Francisco Luís Fontinha 29 Jul 11

O chefe da estação

Bêbado da alvorada

De bandeira na mão

Cambaleando na calçada,

 

Os carris entram-lhe nos olhos minguados

E do rio as algas suspensas nos braços

O pinhão em socalcos encalhados

Dos vinhedos em cansaços,

 

O chefe da estação

No desespero de comboios engasgados

E o pôr-do-sol deita-se-lhe na mão,

 

O rio engole o chefe da estação

Em silêncios de dias amargurados

No silêncio do verão…

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