Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

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Mar 11

Hoje percebi que sou um inútil

Que não gosto do mar

E detesto as flores,

Hoje percebi que não sei escrever

Odeio a poesia

E detesto os livros…

Hoje percebi que sou um imbecil

Que nem pintar sabe…

 

Hoje percebi que nem para fazer sombra sirvo

E hoje está sol

Hoje percebi que detesto gaivotas

Os pássaros e a noite,

 

E não gosto dos plátanos.

Hoje percebi que os cachimbos não me fazem feliz

E que tudo quanto escrevi até hoje,

 

Hoje percebi que lixo.

Hoje percebi que há minha volta

Não mãos para segurarem a minha sombra,

- mas tu nem sombra tens…

É verdade meu amigo…

Hoje percebi que não tenho sombra

E o peso do meu corpo começa a escoar-se no vácuo

Ao ritmo do nada,

 

Aos solavancos como uma polia constipada.

Hoje percebi que tudo à minha volta é a fingir;

A noite não é a noite,

A madrugada não é a madrugada,

E o luar não é o luar…

Hoje percebi que nem o sono me quer…

 

Hoje percebi que os meus olhos não são verdes

E que a maré não existe,

Hoje percebo as lágrimas dos meus olhos

Quando um paquete passa por mim e me acena,

 

E sem fingir me abraça na neblina.

Hoje finalmente percebi que não sou nada,

Sou um caixote desgovernado

À deriva no espaço.

 

Hoje percebi que além de ser um inútil

Sou um vagabundo,

Sujo,

Imundo…

Porque hoje percebi

Que é impossível eu perceber não ser feliz,

 

Hoje percebi que se eu deixar de viver

Nada se importará com a minha ausência…

E eu acreditava que tinha sombra

E que as flores eram belas…

 

 

Luís Fontinha

11 de Março de 2011

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:45

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