Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Jun 11

Gosto da manhã

Quando se entranha no meu esqueleto

E no fingimento da tarde

Adormece dentro da caixa de papelão

 

O uivar dos pássaros

Que poisam nos meus braços

Quando dos ramos de mim

Cresce no silêncio o poema

 

E o poema agarra-se ao cinzento relógio de pulso

Escorre pacientemente como seiva derramada

O poema de mim

O poema de nada

 

No poema as palavras que transpiram do meu sofrimento

A dor emerge como nuvens no céu

Em pedacinhos de água

As vogais despedem-se na madrugada…

 

As vogais comem a manhã

Os rios

E as montanhas

E o poema uma sombra impressa numa lápide

 

O poema de nada

Quando da manhã

Eu, eu grito aos seios da montanha…

O poema é meu, o poema não é nada, o poema sou eu.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:03

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