Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

16
Jul 11

Não espero nada da vida.

Pausa,

Um momento de silêncio

A mão que se encosta ao meu rosto

E uma árvore que me abraça

Nas cinzas dos teus olhos,

Nem a vida espera nada de mim.

Recomeço,

Pregado aos lençóis

Esquecido no mar como se fosse um barco

Eu feito de aço

Com a ferrugem dos meses na minha pele,

Fim.

Os anos a engolirem-me e eu dentro do estômago dos dias,

As mãos e as pernas deixam de existir

As coxas da maré em fios de sémen

E o que resta de mim, pouca coisa,

O alimento das gaivotas com forme,

A vida é uma merda.

Deixei de existir,

O oxigénio em migalhas de sofrimento

E nos meus pulmões cigarros sepultados

O fumo à minha volta como a neblina

Quando os barcos se perdem no rio,

O farol na busca do que resta do meu corpo.

Espuma sobre a água,

Os seios do pôr-do-sol no fim da tarde

O púbis das nuvens em gemidos orgânicos

Gotinhas de desejo desprendem-se dos teus lábios

E sinto que a tua mão me procura na sombra da vida.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:49

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