Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

08
Jan 12

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:54

07
Jan 12

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:21

 

84,1 x 59,4 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:22

É em ti que escondo as palavras

Dos silêncios da manhã

É em ti que cerro os cortinados da solidão

Quando a noite me vem buscar

 

É em ti que os meus braços prisioneiros do mar

Brincam nas asas dos teus olhos

Quando me sento junto ao rio

E de ti vêm as estrelas da saudade

 

É em ti que me deito

E é de ti que crescem os sonhos e as nuvens e a chuva…

De ti bebo a poesia

Quando em ti um jardim imaginário se deita na tua mão

 

E eu sem ti

Sou uma rocha magoada

Uma árvore que tomba na calçada

E vens tu

E me levantas do chão

E sobre mim semeias a madrugada

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:57
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06
Jan 12

A chuva das palmas ilumina o casebre, Marilu, travesti e puta ao domicílio, Marilu dança como se fosse um orgasmo fictício engasgado na penumbra da noite, do teto cordas de sémen descem até ao pavimento lamacento do casebre, e

- A chuva das palmas,

E desaparece dentro da abóboda celeste,

Marilu começa a voar sobre as cabeças iluminadas pela chuva das palmas e no pénis amarrotado uma frase que faz questão de mostrar ao respeitado público A terra é de quem a trabalha e o meu querido pai que não é parvalhão nenhum Sussurra,

- Mas o fruto é que quem o come,

Muito bem Muito bem Camarada Presidente,

Ele encostado à porta de entrada com a respetiva chave e quando tenta introduzir a chave no buraco da Marilu

- Peço desculpa,

No buraco da fechadura o seu escudeiro mor segreda-lhe Camarada Presidente os dentes para cima,

E ele levanta a cabecinha e arreganha a dentadura e a porta nem se mexeu, o escudeiro percebe que o Camarada Presidente,

- Fuzilem imediatamente este homem,

A chuva das palmas quando a centímetros o Anjo marreco desejoso de saltar para cima da Marilu mas Mas o fruto é de quem o come e a Marilu é de todos e o Anjo marreco candidato à isenção de taxa moderadora, um orgasmo fictício engasgado na penumbra da noite, do teto cordas de sémen descem até ao pavimento lamacento do casebre,

- Muito bem Muito bem Camarada Presidente E desaparece dentro da abóboda celeste,

Peço desculpa mas não aguento mais estes malditos bombos e estas malditas cordas de sémen e a puta da Marilu travesti e homem,

Com o pénis amarrotado e uma inscrição a tinta doirada A terra é de quem a trabalha e claro que sim Muito bem Camarada Presidente Muito bem mas Mas o fruto é de quem o come,

Uma chuva de palmas fictícias ilumina o casebre

- Peço desculpa,

A chuva das palmas ilumina o casebre e um orgasmo fictício engasgado na penumbra da noite escorre pelo cantinho da boca do Camarada Presidente,

- Fuzilem imediatamente este homem, e a ordem de serviço rigorosamente cumprida,

Marilu que já se encontrava nos braços do Anjo marreco foi espancado foi torturado e por fim cortado em filetes de fantochada,

- Mas o fruto é que quem o come,

Termina a chuva das palmas.

 

(texto de ficção)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:56

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:40

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:20

Saudade

Quando sobre o meu corpo envelhecido

Poisa a tempestade

E de um rio cansado

Nuvens de néon chocam contra a solidão

E a manhã agarrada ao muro de vedação

À janela eu fico esquecido

E mergulho nas mãos do poema ancorado

 

No poema fantasma que alimenta a saudade

Quando sobre o meu corpo envelhecido

Os meus olhos fingem ver a cidade

Quando a cidade parece ter morrido

 

E da tempestade acorda a harmonia

E às flores regressa o amor das palavras com sentido

E chovem gaivotas de fantasia

No meu corpo envelhecido

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:13

06
Jan 12

O problema não é a solidão nem a queda da folha nem a chuva nem o vento, o problema é que estamos velhos Queixam-se os plátanos do jardim quando por lá ando durante a noite a matar o tempo e a esconder-me das estrelas,

- Deseja fatura? Não Não desejo e nunca vou pedir e se quiserem multem-me Para que raio precisa de fatura um desempregado? Só se for para enfiar…

Para enfiar a linha nu cu da agulha a minha avó silvina quase com noventa anos não precisava de óculos Esticava o bracinho esquerdo onde religiosamente segurava na agulha e com o braço direito zás e nunca falhava e eu saboreava aquele momento de excitação em que um pedacinho de linha entrava sem qualquer sacrifício no buraquinho da agulha,

- A fatura se faz favor E eu não tenho e eu não pedi Porquê? Vou ter que o multar e Multe e faça o que quiser vá para o raio que o parta,

E eu pergunto-me se hoje a avó silvina fosse viva Estás tão magro meu filho Ando a fazer dieta E eu pergunto-me onde está a fatura dos cigarros que tiro nas máquinas estacionadas nos cafés,

- Enfio as moedinhas carrego no botão e cigarros para um lado e fatura para enfiar…, Nada, E eu pergunto-me se também vão multar a máquina dos cigarros por não dar fatura,

E eu pergunto-me se hoje a avó silvina fosse viva E respondo-lhe que ando em dieta Ando em dieta Avó sabe como é nos tempos que correm não se pode comer muito e evita-se a diabetes e a obesidade e

- O cardápio se faz favor Cardápio segreda-me a enfermeira Sim Cardápio Não sabe o que é? Quando se entra numa urgência é preciso primeiro saber muito bem os preços das coisas,

E se fosse hoje possivelmente o teu avô não diabetes Não vá o diabo tesselas e sair daqui sem calças e sem rabo e a avó silvina quase com noventa anos não precisava de óculos Esticava o bracinho esquerdo onde religiosamente segurava na agulha e com o braço direito zás,

- Enfie a fatura no

Zás e a linha transformava-se nas ondas do mar do Mussulo sobre a areia limpa da manhã quando me pegava na mão e me obrigava a ir à missa e eu furioso a olhar para o teto da capela do Bairro Madame Berman,

- O problema não é a solidão nem a queda da folha nem a chuva nem o vento, o problema é que estamos velhos Queixam-se os plátanos do jardim quando por lá ando durante a noite a matar o tempo e a esconder-me das estrelas E vejo a avó silvina quase com noventa anos a enfiar a fatura no cu da agulha Fatura qual Fatura Não pedi fatura,

E vejo a avó silvina quase com noventa anos a enfiar a linha no cu da agulha e sem óculos,

O cardápio se faz favor Cardápio segreda-me a enfermeira Sim Cardápio Não sabe o que é?

 

(texto de ficção)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:01

 

84,1 x 59,4 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:45

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