Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

09
Fev 12

Todas as portas se encerram

E todas as janelas fingem adormecer

Todas as paredes encolhem

Nas manhãs de sofrer,

 

Em todas as noites um livro se revolta

Quando olha o espelho de ontem e um travestido

Esqueleto brinca com um papagaio de papel

(Todas as portas se enceram

E todas as janelas fingem adormecer)

E à minha volta

Um poema sofrido

Em gemidos de mel…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:01

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:08

08
Fev 12

Cansei-me de ser enrabado e nem um Ai me é permitido prenunciar, e que saudades da Marilú que das águas furtadas da Ajuda escrevia orgasmos no sorriso de petroleiros e cacilheiros e ainda tinha tempo de poisar a mão sobre os carris em direção a cascais,

- É para hoje oh Filho?

Cansado de ser enrabado e nem sequer um pequenino Ai de prazer posso prenunciar, não posso porque ainda aparece alguém a apelidar-me de Piegas, Lamechas ou de Coitadinho, e coitadinho nunca fui, e de Piegas só conheço os gemidos da Marilú dançando nas águas furtadas

- E claro que é para hoje Porque se não fosse para hoje não estava aqui,

Sobre a mesa-de-cabeceira, e do espelho, e do espelho as palavras que no final do dia, mesmo entre o fim de tarde e princípio da noite, começavam a acordar nas minhas mãos enquanto em Cais de Sodré um homem triste e cansado e desiludido, Piegas não, e desiludido segurava uma garrafa de vodka e pegava nas palavras, e pegava nas palavras como se fossem grãos de pólen, Coca? Qual Coca sua parvalhona, Pólen simplesmente Pólen, e em silêncios de nada semeava-as nos lábios dela,

- Da garrafa de Vodka?

Quem falou em garrafa de vodka? Uma pessoa descuida-se um pouco e vocês logo em parvoíces, só bastou cruzar os dedos, só bastou olhar para a janela porque o mar estava a chamar-me, e pimba, Piegas,

- Há cada Canhão!!!! Uma garrafa de vodka com lábios… e já agora os orgasmos da Marilú tinham asas, e já agora vou ter de emigrar, e já agora

Engraçado, se não tivessem asas como chegavam aos petroleiros, se não tivessem asas como chegavam aos cacilheiros, e se não tivessem asas como poisavam os orgasmo a mão nos carris para cascais,

Claro que tinham asas, e já agora que estamos a falar de asas, sabes uma Coisa? Não não sei, O que é ser Piegas?

- Não sei Mas deve ser alguém muito importante, Porque se não fosse importante não falavam nele,

Nele ou nela?

Pólen simplesmente Pólen, e em silêncios de nada semeava-as nos lábios dela,

- Da garrafa de Vodka?

Cansei-me de ser enrabado e nem um Ai me é permitido prenunciar, alguém a apelidar-me de Piegas, Lamechas ou de Coitadinho, e coitadinho nunca fui, e de Piegas só conheço os gemidos da Marilú dançando nas águas furtadas, e dançava e dançava e dançava…

 

(texto de ficção)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:38

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:49

Quando o mar cessar nas paredes do meu quarto estarei eu morto? Pergunto-me antes de adormecer,

Pergunto-me se deus é feliz sentado numa cadeira e me olha, pergunto-me se o mar deixar de me visitar

- O que será de mim? Pergunta-se ele antes de adormecer,

Sentado numa cadeira e me olha e sorri, e eu, e eu pergunto-me antes de adormecer

- Quando o mar cessar nas paredes do meu quarto estarei eu morto?

E sorri quando me olha,

Pergunto-me e canso-me de lhe perguntar.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:53

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:26

08
Fev 12

 

84,4 x 59,4 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:09

Oito anos meu deus, dois mil novecentos e vinte dias de vida em comum, dia e noite, quantas lágrimas derramei nas suas mãos, e quantos suspiros, meu deus, oito anos, e quando eu precisava ele ouvia-me, e quando ele vinha com as suas birrinhas, eu, eu pacientemente escutava-o e acariciava-o como se fosse uma criança, e guardava todos os meus segredos,

E hoje e hoje descubro que ele é um impostor e um falsário e que não passa de um mentiroso, mentiroso como tantos outros,

E se algum dia descobrirem que o vosso portátil de marca comprado numa loja de marca, oito anos meu deus, oito anos de vida em comum, e se algum dia descobrirem que afinal o software do vosso portátil de marca é falsificado, não estranhem, porque o Windows XP ao fim de oito anos, oito anos meu deus, ao fim de oito anos diz-me que é falso,

Apetece-me gritar…

- Viva o LINUX,

“E se um desconhecido de repente lhe oferecer flores isso é… “, meu deus, oito anos, dois mil novecentos e vinte dias de vida em comum, “isso é VIGARICE”,

Falsário e mentiroso, mentiroso como tantos outros…

 

(texto inspirado numa amiga)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:59

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:17

Imaginem um rio sem barcos

Sem peixes

Imaginem o mar sem ondas sem maré ou pôr-do-sol…

Imaginem que não existiam pássaros

Nem árvores nem flores

E que era sempre noite sem estrelas ou luar

 

Conseguem imaginar?

 

Imaginem a vida sem amor

Qualquer um

Entre um homem e uma mulher

Entre dois homens

Ou duas mulheres…

 

Conseguem imaginar?

 

Imaginem que não existia poesia

Literatura

Música

Pintura

 

Conseguem imaginar?

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:38

Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Posts mais comentados
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO