Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

07
Fev 12

 

84,1 x 59,4 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 02:37

06
Fev 12

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:19

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:46

Cessaram todas as lágrimas

E a dor do meu corpo transformou-se em dálias

E rosas com sorriso encarnado

Cessaram as luzes da cidade

E cessarão as ruas e os edifícios

E nas ruinas crescerá um poema

Em cada porta de entrada

Com sorriso para o mar

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:28

Nunca me abraçaste

Nem gostas dos meus poemas

Detestas os rios que correm para o mar

E dizes que sou louco

E não o dizes mas talvez o penses – (não serves para nada

E não passas de um mendigo que vagueia dentro da noite)

 

Nunca me abraçaste

E deves pensar que o meu rosto é uma rocha

Ou um pedacinho de madeira abandonada

Quando chove e à janela do asilo peço ajuda

E fingem não me ouvir

E fingem não me ver

 

Nunca me abraçaste

E restam-me os ramos das árvores

Onde escrevo os poemas

Que detestas e odeias

 

E sou um mendigo que vagueia dentro da noite

Tenho rosto e tenho mãos

E às vezes descem as lágrimas da copa das árvores

E alimentam o meu sorriso adormecido

Numa folha de papel meia dúzia de palavras

Que copiei dos ramos das árvores que tu tanto odeias

 

Tenho rosto e tenho mãos

E amo loucamente as minhas palavras.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 02:05

05
Fev 12

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:20

Ninguém sobe as escadas do vento

Porque cerraram a janela virada para o mar

Ninguém dentro das noites de sofrimento

E nenhuma árvore me quer abraçar

Ninguém nas ruas da cidade

A abrir e a fechar as pontas de entrada

Apenas um cadáver mergulhado na saudade

À espera que morra a madrugada

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:16
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Desiludo-me com a vida com o amor e todas as ruas da cidade, e todas as árvores e todos os bancos do jardim, desiludo-me quando acorda a manhã e percebo que vou ter um dia perfeitamente parvo igual ao anterior, desiludo-me quando me olho no espelho da noite e vejo um menino deitado no chão, o frio é intenso, a maioria das vidraças estilhaçadas, e a porta de entrada apenas encostada e prisioneira de um cordel,

- Tenho medo de amar-te sabendo que nunca me vais amar E ela descia as escadas sem dizer até amanhã, e ela descia as escadas depois de a minha mãe aquecer água e depois de amaciar os lancis de granito e a geada começava a andar calçada abaixo e desaparecia junto ao chafariz,

Desiludo-me com a vida com o amor e todas as ruas da cidade, e todas as gaivotas e todos os barcos estacionados no Tejo, desiludo-me com a minha vida miserável, e ela descia as escadas e desaparecia em direção ao Tejo,

- Há dias felizes Nunca se cansa de gritar o vendedor de cautelas,

E há dias de merda e há dias embrulhados nas prateleiras do pôr-do-sol, e há os meus dias, quando a fome entra no meu corpo, quando as lágrimas fingem brincar na minha mão, quando me dizes que me amas, e eu, e eu percebo que nunca me amarás porque sou um miserável, porque nem dinheiro tenho para um café ou convidar-te,

- Vamos jantar?

E o jantar sobre uma mesa de mármore na morgue de um velho edifício em ruinas, desiludo-me com a primavera e com o acordar das andorinhas, desces as escadas e tropeças na geada, desces as escadas e eu sem tempo para te abraçar, e eu, todas as árvores e todos os bancos do jardim, desiludo-me quando acorda a manhã e percebo que vou ter um dia perfeitamente parvo igual ao anterior, e eu agachado no pavimento lamacento agarrado a um livro de António Lobo Antunes, a comissão das lágrimas sentada na baía de Luanda ao final da tarde,

- Vamos jantar?

E eu sem dinheiro para lhe oferecer o jantar, e eu sem dinheiro para a presentear com um simples ramo de flores,

- Tenho medo de amar-te sabendo que nunca me vais amar E ela descia as escadas sem dizer até amanhã, e ela descia as

O frio intenso e as vidraças encostadas às sombras da noite, não cama, não cobertores,

- Escadas e desaparecia no Tejo,

E pergunto-me

- Um petroleiro meu amor,

E pergunto-me Porquê pai?

E um dia vais perceber que tudo não passou de um sonho, tudo meu amor, a minha voz impressa na ardósia do fim de tarde junto aos plátanos, as vidraças meu amor, tudo um sonho construído numa noite de geada.

 

(texto de ficção)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 02:58

04
Fev 12

De que me servem as palavras

Se todas as minhas palavras morreram antes de acordar a maré

 

De que me servem as fotografias

Onde alguém escreveu palavras

Palavras mortas

Em rostos escondidos no cacimbo

 

De que me servem as palavras

Se todas as minhas palavras morreram antes de acordar a maré

 

E nas fotografias onde jazem as palavras

Eu deixei de ser eu

E finjo viver com as palavras

E finjo adormecer nos braços da minha mãe

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:04

04
Fev 12

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:50

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