Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

13
Mar 12

Dizem-me que um texto meu foi selecionado por José Luís Peixoto e que estou entre os 26 selecionados.

Confuso, não me lembro que texto é e se estão a brincar comigo ou a falar a sério.

Em todo o caso muito obrigado ao José Luís Peixoto.

Feliz.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:32

11
Mar 12

Dias de mim

Sem fim

Tristezas que me olham das paredes cinzentas da manhã

Dias de mim

Sem fim

 

Quando tudo à minha volta morre

Cinzas que sobejaram dos papéis cansados

Nas palavras sem nexo

Das palavras abstratas da noite

Dias de mim

Sem mim

 

(Dias assim

Sem fim

À porta da noite)

 

Quando tudo morre

E as sombras são pessoas

E as mãos das pessoas

Árvores que tombam no silêncio das palavras

 

(Dias assim

Sem fim

À porta da noite)

 

Tristezas que me olham das paredes cinzentas da manhã.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:50

10
Mar 12

Uma tela sem nome sem cor sem pernas

Uma tela sem braços

Sem amor

A minha vida é uma tela

Dentro de um cubo de vidro

E sem janelas

E sem portas

Uma tela sem nome sem cor sem pernas

 

Quando acorda a madrugada

A minha vida é uma tela

Sem nome sem cor sem pernas

Desgovernada

 

Uma tela sem braços

Sem beijos

Sem nada…

 

Quando acorda a madrugada

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:11
tags: , ,

09
Mar 12

Há nas palavras cansaço

Pétalas de vogais esvoaçam e caiem no chão

Há nas palavras sílabas em abraço

No rosto de uma mão,

 

Há nas palavras cansaço

Tristeza quando cai a noite sobre o mar

Palavras infelizes no sargaço

Que passeiam no jardim sonâmbulo de amar,

 

Há nas palavras cansaço

Dentro de um livro que arde na fogueira

Palavras em soluços nas palavras cansaço

Das palavras que se extinguem na lareira.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:53

09
Mar 12

Oiço-te na finíssima noite de inverno

Agachada na solidão transversal do néon doente

Oiço-te da janela invisível do sótão

Entre fendas e gemidos de orvalho

Oiço-te quando puxo de um cigarro

E sinto o meu corpo misturar-se no fumo

As minhas mãos começam a emagrecer

Como o papel de parede

Como o livro mergulhado na insónia

E pergunto-me Que fazer?

Quando as palavras que oiço

São como a água de um rio

Que apressadamente corre para o mar…

Oiço-te no cansaço dos sonhos

E barcos travestidos dançam sobre uma mesa

Em Cais de Sodré

Olé

Pois é

Oiço-te suspensa no teto

E da claraboia do sono

Desces até mim

 

(Oiço-te na finíssima noite de inverno

Agachada na solidão transversal do néon doente

Oiço-te da janela invisível do sótão

Entre fendas e gemidos de orvalho)

 

E da claraboia do sono

Adormeces flor selvagem

Abelha que poisa no fumo do meu cigarro

E se alimenta dos meus lábios

Oiço-te… Oiço-te dentro do meu peito

Gaivota poema

Na minha cama

Em chama

 

Oiço-te na finíssima noite de inverno

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:40

 

42 x 29,7 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:57

Vêm até mim

As silabas as vogais e as tristezas da noite

Embrulhadas nas palavras adormecidas

Vêm até mim

As gaivotas sem sorriso

Sem asas

Sem sonhos de caminhar sobre a areia molhada da tarde

Sento-me e finjo-me de morto

Não respiro

Não sonho

E sei que à minha volta gotas de silício se desprendem das árvores

E todas as folhas

E todos os ramos

Vêm até mim

E me abraçam

E me levam para o infinito

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:23

 

29,7 x 42 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:12
tags: , ,

07
Mar 12

 

29,7 x 42 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:30

 

42 x 29,7 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:32

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