Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

07
Mar 12

Os meus olhos

Veem as pedras engasgadas na solidão das árvores

 

Há barcos prisioneiros em mim

À procura de vento

Há barcos de papel e cetim

Há barcos em sofrimento

 

E há um corpo

(Os meus olhos

Veem as pedras engasgadas na solidão das árvores)

O meu corpo

Em busca de alimento

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:24

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:29

07
Mar 12

Apenas uma janela de tungsténio

Me separa do mar

Oiço-o mas não o vejo

Sinto-lhe as mãos sobre o meu rosto

Quando das paredes de vidro do cubo

Uma abelha cintila e chama a noite

Os cortinados cerram-se

E caminham em direção ao imaginário mundo adormecido

Me separa do mar

E vejo o meu rosto curvilíneo

Projetado num beijo

Em desejo

Na boca do cansaço

Que desce pela garganta de um cigarro fictício

Embrulhado em fumo tricolor

E as paredes do cubo começam a engordar

 

(estou só)

 

O magala de mãos na algibeira

Olha o rio

E uma sombra abraça-o

E ouvem-se gemidos geométricos

Dentro do cubo de vidro

O espelho finge orgasmos

E o candeeiro mergulha no papel de parede

Depois de acordar a noite

Depois do prazer

Antes de todas as nuvens extinguirem-se contra as rochas

Às quatro horas da madrugada

Noite cinzenta

 

(estou só)

 

E o Tejo deixa de ser Tejo.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:20

 

29,7 x 42 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:04

(dedicado ao visitante anónimo que algures em Moutain View, Califórnia, tem paciência para ler as porcarias que escrevo)

 

Fantasmas,

Pedaços de tecido em busca de um corpo, sombras que caminham durante a noite até ao rio e esperam pelo abraço de um relógio de pulso prisioneiro da maré, é assim a minha vida, fantasmas que entram ao cair da noite e desaparecem pela manhã, antes de acordar,

Antes de eu acordar e olhar-me no espelho, muito antes de eu ter tempo de colocar a minha mão sobre a mesa-de-cabeceira em busca de um livro perdido, e dou-me conta que até as personagens fugiram, escondem-se, gritam-me enquanto mergulho no sonho, uma bicicleta enferrujada corre e desce a calçada, um homem sem braços e sem pernas espera pacientemente a mão da solidão,

- Os dias são tristes porque as acácias deixaram de sorrir E nunca mais lhe ouvi a voz melódica que descia pelas teias de aranha da infância, E nunca mais

Fantasmas

- Percebi porque choravam as acácias, E nunca mais percebeu porque a melhor amiga o visita durante a noite, constrói um sonho e chora e tem fome e à sua volta todos os prédios da cidade enterram-se terra adentro, e nunca mais,

Pedaços de tecido em busca de um corpo, sombras que caminham durante a noite até ao rio e esperam pelo abraço de um relógio de pulso prisioneiro da maré, e os dias já não são dias, e as noites são gotinhas de dor em círculos concêntricos entre os seios e o púbis

- Porquê as acácias?

E quando uma janela se abre

- O desejo

As gotinhas de dor em cima da bicicleta e as gotinhas saltam para o rio e a bicicleta senta-se sobre o xisto onde uma tela em tons de azul espera que o homem sem pernas e sem braços fume o cigarro esquecido nas mão da solidão,

O desejo,

- Pedaços de tecido em busca de um corpo,

Os fantasmas disfarçados de sorriso

- O mar descansa nas mãos do pôr-do-sol e a janela do meu corpo cerra-se eternamente como se fosse um caixão de madeira que arde numa fogueira de livros e telas e palavras e fantasmas…

Os fantasmas disfarçados de sorriso em pedaços de tecido,

- Os meus amigos Fantasmas,

Quando os dias são tristes porque as acácias deixaram de sorrir…

 

(texto de ficção)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:20

05
Mar 12

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:22

Das mandibulas da solidão

A flor exígua da vida jacente sobre o mármore curvilíneo

Caiem sorrisos das árvores enfeitadas de silêncio

E nas mãos de um homem sem destino

Crescem gotinhas de suor embalsamadas pela tempestade da noite

É no medo de adormecer

Que a flor exígua da vida morre

E grita

E desaparece entre as rodas dentadas de um orgasmo literário

E gira

E corre até se abraçar ao mar

Traveste-se de pássaro antes de acordar o dia

Abre todas as janelas que escondem o céu

E todas as portas começam a voar

Como se fosse sempre noite

Como se fosse sempre invisível

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:37

 

59,4 x 84,1 – Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:57

Pedacinhos de saliva

Suspendem-se dos lábios da noite

Queria beijar a noite

E despedir-me eternamente do dia

Das luzes que brincam à volta das minhas palavras

Como uma corda de nylon no pescoço da vida

Queria ser um rio

Embrulhado no final de tarde

Quando da montanha desce o vento

E o mar finge adormecer

Ao sabor do medo

Das árvores em pecado nos carris do horizonte

E a bordo de mim

Um suspiro sobre o meu peito

Onde fervilham pedacinhos de saliva

publicado por Francisco Luís Fontinha às 02:14

04
Mar 12

 

420 x 29,7 Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:45

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