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Cachimbo de Água

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Nuvens de porcelana

Francisco Luís Fontinha 4 Abr 12

Hoje aprendi o que significa pompoar e em que consiste o pompoarismo, na ponta dos dedinhos finíssimas gotas de orvalho despedem-se da maré, lá fora, dentro de ti um silêncio no corredor da morte, vejo no teu peito a ingrime manhã ensanguentada de desejo,

- “Contrair e relaxar os músculos ao redor da vagina Explica a doutora…”,

O desejo enlouquece a Marilú que sentada numa cadeira segue religiosamente os cinco passos, exercícios simples que qualquer mão percebe quando toda a noite vive no infinito mausoléu da miséria, um corpo embalsamado sorri quando passo descalço em direção ao rio,

- “Contrair e relaxar os músculos ao redor…”, ao redor da madrugada quando procuras debaixo da cama os ossos que sobejaram da minha partida, hoje aprendi que a lua masturba-se em frente ao espelho do sol, hoje, hoje uns dizem que os subsídios de férias e de natal são histórias do passado, outros, outros que não, e enquanto a lua finge orgasmos de cristal, o povo fodido, o povo fodido…

As ratazanas que durante a noite deambulavam pelas casernas infestadas de fumo de haxixe, ao pequeno-almoço um copo de lata recheado de vodka e erva dos jardins de Belém, e o corpo em fio-de-prumo na formatura das oito horas tombava como as árvores no outono quando se despedem dos filhos,

- “Com o Ben-wa (bolinhas) ”,

Que coisa mais estranha minha filha Pijama com Bolinhas encarnadas, nuvens de porcelana e mendigos a exercitarem o pompoarismo, E o que diria o teu pai de tudo isto? Que sou feliz mãe, muito feliz…

Desisto Não nasci para pompoar nem para o pompoarismo,

STOP.

 

(texto não revisto)

A morte das palavras

Francisco Luís Fontinha 4 Abr 12

 

Saberei um dia

Perceber o sorriso das sombras? Pergunto-me…

Pergunto-me porque voam os barcos

Sobre a copa das árvores

Pergunto-me porque dormem os pássaros

No centro da cidade

Saberei um dia

O que são acácias?

Pergunto-me quando pego num livro

E oiço a morte das palavras

Oceano sem braços

Francisco Luís Fontinha 4 Abr 12

Há um oceano sem braços

No meu corpo emagrecido

Há um pôr-do-sol em cansaços

Nos olhos de um barco perdido,

 

Há um tempo sem gente

E uma biblioteca sem poesia

Há um oceano que mente

E vive na fantasia,

 

Há um oceano sem braços

No meu corpo emagrecido

Há um homem que procura abraços

Há um homem que vive esquecido.

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