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Cachimbo de Água

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Francisco Luís Fontinha 17 Abr 12

Não vale a pena escreverem no google “Luís Fontinha pinturas”, não sou pintor, não sou escritor, apenas faço parte dos 15% de desempregados... e a aumentar.

Algibeiras da tarde

Francisco Luís Fontinha 17 Abr 12

Pareço um espelho

poisado sobre o pavimento molhado

incenso e marfim

nas algibeiras da tarde

e tudo à minha volta arde

e tudo à minha volta

incenso e marfim

e fios de nylon

descem das árvores doentes

incenso e marfim

contentes

nas algibeiras da tarde,

 

pareço um espelho

um palhaço que brinca na esplanada do Baleizão (Luanda)

entre cadeiras imaginárias

e migalhas de pão,

 

pareço um espelho

made in China,

 

(um homem sem destino

desde menino)

 

entre cadeiras imaginárias

e madrugadas de cetim

antes do pequeno-almoço

ao virar da esquina

no centro do jardim

um espelho,

 

nas algibeiras da tarde.

A alvenaria da vida

Francisco Luís Fontinha 17 Abr 12

Há uma pedra onde me sento

e descanso

há um banco de jardim onde adormeço

e descanso

 

mas não existe oceano

pedra

ou banco de jardim

que queira o meu veleiro

 

desde que me conheço

 

(Há uma pedra onde me sento

e descanso

há um banco de jardim onde adormeço

e descanso)

 

e os dias pregados na alvenaria da vida

fotocópias de fotocópias

noites de noites

numa rua sem saída

 

que queira o meu veleiro

 

onde me sento

e descanso.

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