Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

20
Abr 12

Lá fora entre as rasantes da manhã

procuro desesperadamente o relógio de pulso

que deixou de funcionar

lá fora entre as sombras do veleiro embriagado

desesperadamente procuro o calendário

que ficou esquecido na parede da cozinha

 

lá fora

desesperadamente

entre o dia e a noite

procuro o vento

entre as rasantes da manhã

que deixou de funcionar

 

lá fora

na parede da cozinha

o meu corpo crucificado

 

nos lábios do luar...

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:27

19
Abr 12

O meu sonho, Dizia ele, Fazer amor contigo e ler nos teus olhos a palavra amo-te, escrever no mar e abraçar a lua, brincar na areia molhada da praia, e olhar docemente o sorriso do espelho do meu quarto, antes de adormecer, antes de começar o dia...

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:10

Qualquer coisa estranha à janela

olho as árvores imaginadas

por um miúdo em calções

olho-lhe os braços suspensos no cacimbo

e ele acena-me com um sorriso ténue

antes de adormecer a tarde

 

e enquanto me acena

vai imaginando árvores enormes quase a tocarem o céu

árvores que rompem a montanha

árvores que alguém esqueceu

num jardim de aldeia

ou perdidas numa cidade

sem janelas

sem portas

sem casas

uma cidade construída em papel

e com muitas palavras

a cidade dos livros

 

a cidade dos livros

com gajas poeticamente desejadas

e poeticamente amadas

como as flores dos jardins de Belém

 

uma cidade sem cigarros

e sem rimas

e todas as personagens

 

coisas estranhas à janela.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:12

Procuro nos olhos oblíquos da manhã

a bissectriz do cansaço

o meu corpo transforma-se em matriz composta

e dos meus braços

crescem linhas paralelas sem destino

algures suspensas no infinito

 

elevo ao quadrado a minha solidão

e à raiz quadrada do sofrimento

adiciono uma noite sem nome

sem horários

 

sem nada

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:39

18
Abr 12

Dentro das ondas do mar

adormece o poema que nunca consegui escrever

sílabas perdidas

onde pinto os meus sonhos

e poiso as lágrimas do amanhecer

 

poemas sem palavras

que brincam no jardim

 

dentro das ondas do mar

poemas sem janelas

agarrados a mim

 

poemas

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:01

17
Abr 12

Não vale a pena escreverem no google “Luís Fontinha pinturas”, não sou pintor, não sou escritor, apenas faço parte dos 15% de desempregados... e a aumentar.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:11

Pareço um espelho

poisado sobre o pavimento molhado

incenso e marfim

nas algibeiras da tarde

e tudo à minha volta arde

e tudo à minha volta

incenso e marfim

e fios de nylon

descem das árvores doentes

incenso e marfim

contentes

nas algibeiras da tarde,

 

pareço um espelho

um palhaço que brinca na esplanada do Baleizão (Luanda)

entre cadeiras imaginárias

e migalhas de pão,

 

pareço um espelho

made in China,

 

(um homem sem destino

desde menino)

 

entre cadeiras imaginárias

e madrugadas de cetim

antes do pequeno-almoço

ao virar da esquina

no centro do jardim

um espelho,

 

nas algibeiras da tarde.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:42

Há uma pedra onde me sento

e descanso

há um banco de jardim onde adormeço

e descanso

 

mas não existe oceano

pedra

ou banco de jardim

que queira o meu veleiro

 

desde que me conheço

 

(Há uma pedra onde me sento

e descanso

há um banco de jardim onde adormeço

e descanso)

 

e os dias pregados na alvenaria da vida

fotocópias de fotocópias

noites de noites

numa rua sem saída

 

que queira o meu veleiro

 

onde me sento

e descanso.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:58

16
Abr 12

Se eu tivesse

um leve sorriso nos lábios

que se acorrentasse às árvores nuas e tristes

 

se eu tivesse

asas para voar

e sonhos...

e sonhos para sonhar

 

e mar

e mar para caminhar

 

se eu tivesse tudo isso

provavelmente estaria morto

dentro de uma rocha suspensa na montanha

antes de acordar a noite

 

e longe e longe e longe...

o rio

e barcos de papel

 

se eu tivesse

um leve sorriso nos lábios

… às árvores nuas e tristes

eu abraçava-me

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:00

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:38
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