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Cachimbo de Água

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Francisco Luís Fontinha 9 Mai 12

 

@Francisco Luís Fontinha

Lanterna

Francisco Luís Fontinha 9 Mai 12

o feixe de palavras

mistura-se com a minha sombra

dentro do corredor brincam páginas de literatura

e poesia de páginas

amarelas

encarnadas

escuras

com listras de pôr-do-sol

 

nos lábios do mar

a boca do silêncio alimenta-se do teu corpo

e pingos de saliva subtraem-se às rimas do teu cabelo

a caneta de tinta permanente beija-o

docemente

ajeitando a almofada da solidão

sem braços

sem mão

 

à procura dos teus desejos

de algodão

no parapeito da janela da biblioteca

abraçados às personagens dos livros de A. Lobo Antunes

 

o feixe de palavras

mistura-se com a minha sombra

dentro do corredor... páginas de literatura

 

amarelas

rosas

encarnados

cravos

 

a lanterna da vida finge orgasmos nas palavras

amarelas

rosas

encarnados

cravos

e o corredor não tem fim

e se amanhã eu não conseguir?

Francisco Luís Fontinha 9 Mai 12

E se amanhã eu não conseguir

ressuscitar as palavras

que a noite semeia no meu peito

 

e se amanhã não existir amanhã

e se hoje começar o amanhã

sem que as palavras assassinadas acordem no papel amarrotado

 

e o vento

perder o encanto

amanhã sem pássaros sem nuvem onde me pendurar

 

e se amanhã eu não conseguir

ressuscitar as palavras

e se nunca mais existir amanhã...

 

e se amanhã os teus lábios

dormirem na minha mão

que a noite semeia no meu peito

 

(palavras

desenhos

parvoíces)

 

um calendário

sem dias sem horas sem amanhã

e se amanhã eu não conseguir?

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