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Cachimbo de Água

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O poema adormecido

Francisco Luís Fontinha 12 Out 12

A lua

tua

minha apaixonada lua

nua

 

a lua dos silêncios que habita nas profundezas da tua dor

despede-se a noite

com beijos curvilíneos

ou não

as ardósias das esplanadas junto ao rio

 

o sol incandescente alimenta a tua voz cintilante

apaixonada

lua

a tua

janela acorrentada às luzes fictícias do orvalho

nua às vezes habilmente só

 

e tão bela

 

connosco o mar é enorme

enormemente infinito

o amor às palavras

com as tuas palavras

nua

a lua

tua

dentro do poema adormecido.

 

(poema não revisto)

Os uivos rangidos da geada

Francisco Luís Fontinha 12 Out 12

Pela pequeníssima fissura do meu peito

entra sorrateiramente o sol

e os pássaros da madrugada,

 

oiço-lhes os uivos rangidos da geada

caindo a noite sobre os cobertores da insónia

deixo de sonhar

e começo a ver desenfreadamente os soluços das palavras

em constante borbulhar de solidão

que os beijos constroem sobre as nuvens do mar,

 

descem dos teus doces lábios de desejo

as cancelas da dor embrulhadas em papel de incenso

e mirra

oiro

na mão vazia de um barco clandestino

moribundo

e oiro

às vezes quando do cansaço acordam os gritos dos homens embalsamados,

 

os meninos

deles

coitados

à janela do ciume.

 

(poema não revisto)

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