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Cachimbo de Água

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Coisas belas

Francisco Luís Fontinha 23 Out 12

Tantas coisas belas

que dormem no centro da terra

coisas com asas de vidro

e olhos de prata

ruas com janelas

e telhados de chapa

 

tantas coisas belas

infinitamente apaixonadas

pelas madrugadas

elas

as flores engraçadas

que a noite alimenta

 

tantas coisas belas

docemente voando nas montanhas do mar

coisas com palavras de amar

belas de embalar

quando a lua e o luar

beijam as luzes da paixão silenciosa

 

tantas coisas belas

que brotam das tuas mãos de sílaba distraída

coisas e coisas belas elas

entre os parêntesis do beijo

sem jeito

no peito em ferida.

 

(poema não revisto)

As folhas cansadas do Outono

Francisco Luís Fontinha 23 Out 12

Apareces, desapareces, inventas sombras nas entranhas do xisto douro em socalcos de oiro, teces nos lábios do rio as palavras bronzeadas que a noite transpira, e inspira, o poeta que dança nos braços de uma canção, apareces, desapareces, e constróis desejos nos tentáculos do poema, o poeta enlouquece nos olhos enamorados dos plátanos ternos e meigos dos loiros fios de luz que a manhã desenha na areia,

e desce a noite sobre ti,

desapareces, apareces,

nos versos das folhas cansadas do Outono,

 

E dizem que a lua cor de amêndoa navega nas gaivotas do Tejo, apareces, desapareces, inventas sombras, inventas-me quando a janela do minguante silêncio aquece na tua pele de água adormecida, oiço-te voar debaixo do tecto da saudade, eu corro, eu procuro-te desenfreadamente no Rossio depois de se despedir a tarde dos sótãos suspensos na solidão,

inventas, e dizes-me depois de adormecerem todos os sonhos da cidade que o poeta enlouquece a madrugada e enrola-se nos candeeiros invisíveis que os pássaros trazem do outro lado do rio,

 

Apreces, e inventas-me, inventas a saudade, inventas o desejo, e desapareces dentro da neblina cinzenta dos cigarros quando vêm os barcos ao teu submerso corpo de papagaio de papel no cordel enfeitado que o miúdo lança contra o vento.

 

Francisco

23/10/2012

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