Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

24
Nov 12

Tinham-nas coberto com uma fina película de prata, as casas e as ruas e as poucas árvores livres da cidade, os relógios cessaram os movimentos pendulares após o sorriso tracejante das balas invisíveis que caminhavam na esplanada da noite, eu acendia os cigarros com um pedacinho de silêncio, quando existia, e sonhava transformar-me em sombra e acordar um dia distante nas profundezas do oceano, tinham-nas coberto, as casas e as ruas e as poucas árvores amigas que me restavam naquela noite invernal esquecida nos penhascos moliceiros mendigos de Janeiro, e eu recordo-me do primeiro berro que escrevi numa parede de Luanda, e eu, nos penhascos e as poucas árvores amigas que me restavam, talvez um dia tu percebas o que é a pobreza e a miséria,

 

- talvez um dia eu compreenda os gemidos cansados da geada quando ligava a torradeira para aquecer as mãos, finas e compridas, dizias-me que lá foram os jardins eram de areia, e eu não, nunca mais toquei nas lágrimas da areia, apenas uma fina película de prata, as casas e as ruas e as poucas árvores livres da cidade tilintavam os parafusos metálicos quando o comboio em direcção a Cais do Sodré atravessava a cidade acabada de ser engolida pela solidão, tu dizias-me que um dia ia perceber o que era a pobreza e ser miserável, e um dia as poucas árvores amigas livres da cidade, tinham-nas, tinham-nas coberto com uma fina película de fome, e tu dizias-me que um dia eu ia perceber, e percebi, hoje, ontem percebi que me fazes falta quando cai sobre mim a fina película de prata,

 

as balas invisíveis tracejantes em círculos nos cigarros, escrevi numa parede de Luanda, e eu, nos penhascos e as poucas árvores amigas que me restavam, talvez um dia tu percebas o que é a pobreza e a miséria, e estupidamente ligava a torradeira para aquecer as mãos de mármore, e ouvia-te dizeres-me, tão grandes e finas, as árvores amigas que vivem na cidade dos sonhos, ouvia-te

 

- não temos nada para comer,

 

ouvia-te chorar dentro do silêncio da chita imitando os cortinados com flores das ruas de Luanda, e a primeira palavra que gritei numa parede de vidro Tenho fome, e nunca terás fome, prometo, e escrevi nas paredes livres da cidade, antes das balas tracejantes desenharem árvores com fome e as casas e as ruas finas com uma película de prata, Leva-me ao jardim

 

- não temos nada para comer, e levava-te a passear até ao mar e ficavas-te a dormir juntamente com a cidade, juntamente com os barcos, e juntamente com os movimentos pendulares das semanas, desapareceste entre as minhas mãos, perdi-te na torradeira enquanto aquecias, tão grandes e finas, as árvores, e as ruas,

 

antes das balas tracejantes desenharem árvores com fome e as casas e as ruas finas, eu não percebia que um dia vinhas ao meu encontro, te sentavas nas minhas pernas e inventavas o apito dos cacilheiros antes de eu perceber que o Tejo engole os meninos regressados de Luanda, e que eles tinham-nas coberto com uma fina película de prata, as casas e as ruas e as poucas árvores livres da cidade, os relógios cessaram os movimentos pendulares após o sorriso tracejante das balas invisíveis que caminhavam na esplanada da noite, eu acendia os cigarros com um pedacinho de silêncio, quando existia, e sonhava beijar-te de costas para o rio, e escondia-me depois dentro do teu corpo pintado nos carris paralelos abraçados no infinito, perguntavas-me

 

- falta muito,

 

respondia-te que não, mentia-te, inventava sombras e homens que te diziam andar eu a passear junto ao rio, e não sabias, não percebias, que a fome quando se alicerça em nós é como as algas, dificilmente nos deixam caminhar livremente, nos penhascos moliceiros mendigos de Janeiro, e eu recordo-me do primeiro berro que escrevi numa parede de Luanda, e eu, nos penhascos e as poucas árvores amigas que me restavam, talvez um dia tu percebas o que é a pobreza e a miséria, mentia-te, e tu acreditavas nas nuvens que regressavam do outro lado do rio, a ponte dormia, tu dançavas sobre a mesa espessa com garrafas de vodka e pequeníssimos papeis escritos com as memórias mentiras de ontem, falta muito?

 

- Quase lá, o cabelo descia a Almirante Reis e numa transversal perdia-se numa noite de sexo, compreenda-se, compreenda-me, dizias-me tu antes de chegares aos lençóis mergulhados na infância com as paredes de vidro recheadas com os gritos de um miserável doentio navio desgovernado,

 

espessas com as garrafas de vodka pintadas nos lábios encarnados da cave nua, triste, e as balas invisíveis tracejantes em círculos nos cigarros, escrevi numa parede de Luanda, e eu, nos penhascos e as poucas árvores amigas que me restavam, talvez um dia tu percebas o que é a pobreza e a miséria, e estupidamente ligava a torradeira para aquecer as mãos de mármore, e ouvia-te dizeres-me, tão grandes e finas, as árvores amigas que vivem na cidade dos sonhos, ouvia-te, dizias-me que as mentiras são eternas, como as palavras, e as tuas mãos desapareceram na torradeira numa qualquer noite de Janeiro,

 

- falta muito Perguntavas-me de segundo em segundo, tanta curva meus grande deus, e nunca mais terminava a montanha, crescia e descia a Almirante Reis para estacionar-me nas tuas mamas de socalco frente ao douro

 

hoje não me apetece,

 

- socalco frente ao douro, dizias-me baixinho a virar para a transversal dos prazeres e dos gemidos, é hoje, e não foi hoje que as lágrimas de seda mergulharam nas tuas coxas de marfim, ao longe, infinitamente abraçados ouvia os carris da infância à procura do rio, a ponte,

 

hoje não me apetece Dizias-me quando te perguntava o que tinha acontecido às árvores amigas que durante a noite deambulavam pela cidade, vestidas de mendigo, hoje não, ouvia-te lá fora, hoje não me apetece ouvir o rio no púbis dos socalcos,

oiço-te, ouvia-te os gemidos do infernal inverno quando abria a torradeira e aquecia as minhas mãos gélidas pergaminho em palavras miseras, hoje vi-te, oiço-te nos gemidos gritos das paredes de vidro,

 

- não me apetece,

 

e no entanto o rio está lá, e no entanto os socalcos estão lá, findos, húmidos desejos das montanhas em corridas loucas avenidas, saboreio o café e delicio-me com o novo livro de A. Lobo Antunes “Não É Meia Noite Quem Quer” e não me apetece, e o empregado do Jeronymo sorri-nos enquanto tu

 

- hoje não me apetece Dizias-me quando te perguntava o que tinha acontecido às árvores amigas que durante a noite deambulavam pela cidade, vestidas de mendigo, hoje não, ouvia-te lá fora, hoje não me apetece ouvir o rio no púbis dos socalcos, oiço-te, ouvia-te, sussurrar ao meu ouvido

 

enquanto tu pegavas na minha mão suspensa na torradeira da infância...

 

(texto de ficção não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:03

Há-de crescer um narciso

nas lágrimas de xisto

suspensas no silêncio teu rosto mergulhado em ti

vulcão apaixonado

que da ilha supérflua em círculos de luz

vivem nas ardósias tuas bocas deliberadamente loucas

dos cortinados da melancolia

e eu eu sentia,

 

as palavras tontas

dos oceanos regressos em pedacinhos de nada

amanhece em mim

as ervas daninhas do sofrimento

em dor

ou não

o teu corpo dilacerado entre as mandíbulas assassinas

que a madrugada desenha na areia fina,

 

há-de crescer um narciso

nas lágrimas de xisto

há-de crescer um rio que dentro de ti infinitamente ausente

nas palavras suspensas no silêncio teu rosto mergulhado em ti

e eu eu sentado nas escadas da cidade

contando os barcos invisíveis

que descem a calçada

e se suicidam nas janelas da saudade.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:03

23
Nov 12

Quando me tocas sinto-o como se acordasse no meu interior uma mão cheia de plumas com gotinhas rosas de pequeníssimos silêncios, me tocas, quando oiço o desenfreado uivo da maçã juntamente com duas ou três laranjas e algumas nozes, quando oiço a locomotiva da tarde a despenhar-se contra os rochedos da noite, choras, metes-te na cama e colocas sobre ti uma laje maciça de aço inoxidável com parafusos de solidão e dizes baixinho, oiço-o, e dizes baixinho

 

- Amo-te

 

E dizes baixinho dentro das profundezas terrestres do centro da cidade que ontem choveram lágrimas de luz sobre as árvores infelizes do Outono, oiço-o, Amo-te prenuncias entre plumas e pedacinhos de papel encarnado com bolinhas cinza, e hoje não tenho cigarros, digo-o, oiço-te com o medo da morte desejada pelas janelas do sótão virado a sul, o telhado amuado como duas crianças antes do lanche, servem-se na esplanada de Belém torradas e café com leite e sinto-o, sinto-o sentado nos meus joelhos de vidro,

 

- E digo baixinho que ontem, uma semana qualquer do passado longínquo ouvi pela primeira vez a palavra amor prenunciada pela gaivota de quatro ventos e três sandálias de couro, o papagaio de papel alimenta-se da tua misera mão de criança recheada de sonhos e sílabas de capim, o doirado sôfrego dos sargaços abraços nas trapalhices escuras que o metropolitano inventa quando caminhas nos meus olhos de pássaro sem destino, Amo-te Ouvi-o e deixei de ver as marés quando me sentava nos finais de Janeiro e ao fundo da Calçada aparecias vestido de palhaço e trazias um chapéu de xisto, e eu, sozinha sentada nas ardósias das palavras inventadas por ti, e eu dizia-te baixinho, e eu acreditava que as tuas mãos eram de oiro maciço e que o mar às vezes entrava pela janela,

 

O desenfreado uivo da maçã juntamente com duas ou três laranjas e algumas nozes, os pássaros nas oliveiras infelizes com a chuva que prometeu cair no algodão dos barcos regressados dos poemas reescritos pela mão do palhaço

 

- Amo-te dentro das amoreiras das telas enfeitadas com lacinhos de hortelã e os uivos dos teus braços abraços pela mão do palhaço, o Mussulo desenfreado

 

O palhaço do homem de vidro nos lençóis de iodo à espera dos uivos apitos emagrecidos dos esqueletos com duzentos e seis ossos, na areia finíssima que o Mussulo deixou abandonado no rio e eu, eu via-te sentada na esplanada de Belém com o chá e as torradas disfarçadas de mendigos africanos descendo a avenida Almirante Reis, pensão Dona Xica às putas recheadas com pigmeus clandestinos, o palhaço está doente, feio, o palhaço procura incessantemente a amargura fictícia dos pequeníssimos cigarros, o Mussulo desenfreado na secretária sem alicerces, amo-te dentro das amoreiras das telas enfeitadas com lacinhos de hortelã e os uivos dos teus braços abraços pela mão do palhaço, o Mussulo desenfreado nas tuas mãos, e eu, e eu entrava dentro do mar com pintinhas encarnadas, e no entanto sentavas-te nos meus joelhos de vidro, as janelas da paixão, e o cata-vento adormecia dentro de casa

 

- E digo baixinho que ontem, uma semana qualquer do passado longínquo ouvi pela primeira vez a palavra amor prenunciada pela gaivota de quatro ventos e três sandálias de couro, o papagaio de papel alimenta-se da tua misera, duas horas de cansaço mútuo aos teus abraços de aço que o lume à lareira do ciúme desenhava as insignificantes estrelas amarelas,

 

O palhaço está doente, e do chapéu de xisto nasce a canção de amar, o palhaço inventa e desenha nas areias do Mussulo carícias com sombras de mangueiras, o triciclo está doente, o menino chora a partida do palhaço, o palhaço está doente quando às tuas mãos chegam as palavras escritas em papel de fim de tarde, o menino chora, doente, emagrece as arcadas circunflexas da paixão perdida no oceano deserto de areia, morreste, dormes incessantemente a morte que a noite semeia na seara do vento,

 

- Amo-te pela primeira vez quando abro a janela e tu sentado nas rochas que o silêncio construía com os meus sonhos, e eu, ouvia-o, ouvia-te, e eu escrevia nos vidros dos sonhos Amo-te tanto, tanto, noite clara de Outono,

 

A morte que a noite semeia na seara do vento, o menino chora, o menino doente, o palhaço está doente, que o a mar levou para longe de ti, servem-se na esplanada de Belém torradas e café com leite e sinto-o, sinto-o sentado nos meus joelhos de vidro.

 

(texto de ficção não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:57

Há coisas dentro de mim estranhas

assim

estradas pontes tectos sem madrugada

há coisas assim em mim dentro estranhas

entranhas palavras de dor

sofrer sofrendo o amor de amar uma flor

assim

coitado de mim

sofrendo sofrer amar

amando

as raízes do teu jardim

pontes estradas nas entranhas vidas sofridas,

 

amadas

palavras malvadas dentro de mim

há coisas dentro de mim estranhas

como as luzes que a noite desenha

no térreo pavimento da paixão

a dor

amar amadas as palavras sofridas

as vidas

as horas

todas

as janelas em gemidos sibilados os sofridos jardins entre os parêntesis

entranhas elas todas quando crescem em ti as flores sem destino...

 

timidamente

belas.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:01

22
Nov 12

Deixas-me adormecer

no berço da lua

dor minha canção tua

do silêncio de viver,

 

Às palavras perdidas

dentro do feitiço amanhecer

soltam-se os ventos e as marés de morrer

em madrugadas na tua boca esquecidas,

 

Polícias da morte disfarçados de palavras estonteantes

as montanhas entre xistos desgovernados

coitados dos cadáveres saltitando nas janelas em sustos rasantes,

 

Coitados

dos cadáveres entre xistos magoados

que a noite tortura e come com os dentes cansados.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:57
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21
Nov 12

A pastelaria azul com pergaminhos de açúcar

abandonada no centro da avenida

uma cadeira vazia

apaixonada pelas palavras de mel

que poisam sobre as mesas de amêndoa,

 

Felizmente faço parte deste mobiliário literário

onde te sentas

e pensas nos sonhos desenhados sobre a areia da infância

oiço-te

e oiço-te murmurar nas longínquas rochas que me amas,

 

E adoras

e entrei nos teus sonhos como os pergaminhos de açúcar

e a avenida se veste de loiro poema em delírio

à tua mão de silêncio as gaivotas entre os sorrisos da noite

há uma janela para te vestires com os gemidos dos cacilheiros,

 

E adoras

as flores de abelha em papel com migalhas de vidro

das caricias muitas que a luz constrói no teu corpo

e felizmente faço parte deste mobiliário literário

que é o teu corpo de açúcar deambulando no centro da avenida...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:50

20
Nov 12

Perdi as minhas mãos

na seara do medo

e proibiram-me de acariciar os teus lábios de centeio

quando o teu corpo se veste de bola de luz

e perde-se na infinita noite,

 

Ouvi dizer que apareces dentro de um cubo de vidro

à janela da lua

e o teu corpo mergulhado nas palavras

anoitece no meu peito como se fosse um pedaço de aço

ou um vulcão em desejo,

 

Sinto-o dentro da porta da escuridão

os seios metamorfoseados nas esquinas tristes da cidade

há árvores nos teus olhos cansadas de viajar

e procuram incessantemente as nuvens de mar

que deus constrói nos alicerces das tuas coxas em delírio,

 

Perdi as minhas mãos

e deixei de sonhar depois de partires para a infinita madrugada

onde te escondes distraidamente no espelho das lágrimas voláteis

da mesa onde poisam os livros embrulhados em poeira

mesuradamente do pavimento da insónia,

 

Ouvi dizer

que as minhas mãos

(perdi as minhas mãos)

voam sobre a cidade cinzenta na ceara do medo

nos lábios mordidos pelas sílabas do poema em dentes de fúria adormecida,

 

Sinto-os dentro da minha boca

os teus lábios sibilados

em voos nocturnos dentro dos lençóis do medo

a voz cansada do sexo entra nas fendas do gesso embainhado pela solidão das horas

e lá fora chovem círculos de luz com finíssimos sons em gemidos deslocados no tempo,

 

Perdi as minhas mãos

(e sou tão feliz por te amar das palavras)

à janela da lua

a viagem sem destino

que um homem sem mãos escreve nos socalcos de xisto...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:22

19
Nov 12

Os algerozes da paixão submersos nas lágrimas do desejo

quando o falso beijo

desce da árvore vestida de negro

com fios de sémen na algibeira do sono,

 

uma janela

com cigarros em cadáveres adormecidos pelas mãos

dos olhos embainhados das rosas

sem perfume,

 

o lume à janela

em pálpebras coloridas pelo silêncio da lua

o céu invisivelmente sobe as escadas sofridas que a noite constrói

nas costas de um crucifixo encalhado nas frestas do barro cansado,

 

desenho eu a madrugada

murmuradas todas as palavras

na ardósia de dor

que iluminam as cinzas ardores dos homens tristes e sós,

 

morro nos teus braços

e sinto o peso da saudade

os algerozes da paixão submersos nas lágrimas do desejo

quando o falso beijo,

 

(toma conta da cidade)

 

nos teus braços de saliva pergaminho

luz à janela dos cigarros sem perfume

com rosas cintilantes nos lábios da aurora boreal

que dos teus cabelos crescem em direcção ao mar...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:09

18
Nov 12

Metade de mim quer-te

metade de ti sobeja e deseja-me

há uma outra metade em mim

desejando a metade desejada em ti

 

na minha mão olho as metades

as nossas finíssimas metades de luz

que do céu transpiram

em gemidos lácteos lacrimosos da razão

 

metade de mim quer-te

metade da metade sobejada

quer-te nas entranhas perdidas da madrugada

e resta-me a metade não alimentada

 

a melhor metade de ti sobejada

a eterna metade amada

e incha o tesão das palavras

na metade de uma qualquer metade desejada...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:53

17
Nov 12

Estavas tão cansada que esqueceste a minha mão de madrugada

poisada sobre a fúria noite em construção

desenhei-te na almofada silenciosa de uma cama de hotel

e os telhados de vidro choravam a tua partida

como eu meu amor

no indefinido sofrimento das palavras

escritas no teu corpo resgatado ao guarda-fato da insónia

os teus olhos sibilados pelos rios do prazer,

 

Estavas tão cansada

a minha mão de madrugada

nos lábios de deus

e no entanto

o teu sofrimento

percebi-o como percebo a tua ausência

cintilante que clareia nos quartos de hotel

das janelas com fotografias para a cidade adormecida,

 

Escrevo-te sabendo que a noite à lareira descerá dos livros sem palavras

como da tua boca os doces morangos da noite mal dormida

cinco minutos submersos no teu ventre de oiro poema das marés encantadas

escrevo-te

da tua boca

a almofada dos gemidos círios dos versos consumidos pelo fogo da paixão

o arbusto do sonho

nos teus olhos sibilados pelos rios do prazer.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:59

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