Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

16
Nov 12

Linda

a paixão de cartão

enrolada no dedo tua mão,

 

De pétala

há pétala silenciosa sinfonia que o amor constrói

nas nuvens encostadas às árvores de papel,

 

Aos cansaços

linda

a paixão

tua pele

teus lábios

coração de mel

nos cortinados do amanhecer

enrolada no dedo tua mão,

 

Perco-me em ti

e dentro de ti

até encontrar o mar

o mar meu amor a paixão de cartão

enrolada no dedo tua mão,

 

(Linda

a paixão de cartão

enrolada no dedo tua mão)

 

Lindas

as folhas do teu corpo onde escrevo as palavras de amar

Lindo

meu amor

o desejo infinito que a luz desenha nos teus lábios

e pinta

no púbis tua mão

o dedo da paixão

a feliz paixão de cartão

quando recolhe a noite

aos aposentos da solidão

e ingenuamente geme em ti o coração da paixão...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:11

15
Nov 12

Digo-o porque assisti ao romper desmesurável das mãos entrelaçadas nas lanças de aço que profundamente entram no coração doirado do velho com óculos, oiço-lhe os gemidos cansados dos alforges doces sargaços que o mar desencontra nas tardes de solidão, digo-o e oiço-o, e às vezes apressadamente contra o muro da paixão, nunca soube, ele, que me tinha apaixonado e loucamente caminhava no arame que atravessava a rua deserta de palavras, ficticiamente adornada com oiro e cinza de olhos encarnados que os mendigos construíam com as migalhas de vidro, gostava dele, muito dele, digo-o enquanto lá fora chove, e a luz silenciosa da morte alicerça-se nas palavras escritas na ardósia extinta da infância,

 

não me ouvirás mais, doce pergaminho dos dias acorrentados aos negros e pasmados buracos que a noite transpira, digo-o, oiço-o, pensando que amanhã me sentarei no teu colo infinitamente débil dos versos traduzidos e semeados nas searas longínquas da saudade, e um dia perceberei que as estrelas são de papel, e as nuvens, no entanto, hoje, são de lágrimas janelas que a maldita cidade esconde nos jardins com flores de mármore, porque assisti ao romper desmesurável das mãos entrelaçadas de aço que profundamente entraram no teu coração de vidro frágil como a água dos rios antes de encontrarem o oceano,

 

gosto tanto de ti,

 

digo-o, oiço-te, loucamente percebias as minhas palavras, loucamente davas alegria às minhas loucuras clandestinas nas areias finas do Mussulo, gosto tanto de ti, e os meus machimbombos continuarão a saltitar de paragem em parem, de berma em berma, e de candeeiro em candeeiro, a morte desce do tecto da madrugada, cai sobriamente nas algibeiras das montras doiradas onde um louco vende poemas e sonhos, e inventa a amizade, e inventa a saudade, e as flores e as pedras e os socalcos,

 

gosto tanto de ti,

 

e os socalcos desaparecem nas fresta do velho NOGUEIRA, escrevo-te, hoje, como se amanhã todos os rostos de uma cidade perdida na escuridão fossem alegremente as palavras dos teus medos, anseios, e no entanto, no entanto, hoje, são de lágrimas janelas que a maldita cidade esconde nos jardins com flores de mármore,

 

gosto tanto de ti,

 

digo-o, oiço-o.

 

(texto não revisto)

 

Francisco Luís Fontinha

15-11-2012

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:55

Uma chuva de pedras loiras

sobre as sombras cansadas dos invisíveis olhares da noite

vais partir em direcção ao nada

manhã desgovernada

cansada triste a paixão das palavras tontas

na tua doce mão,

 

cansada chuva de pedras loiras

em direcção ao nada

madrugada dos pincéis alimentados pelos desenhos dos espelhos coloridos

perdidamente apaixonados

dentro do cubo de vidro

onde adormecem os teus olhos meus,

 

uma chuva

longa

tonta

deserta

na tua doce mão

a boca em silêncios de pedras loiras.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:55

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:28

15
Nov 12

À via láctea da saudade

aporta a dor indesejada das veias mergulhadas na insónia

das palavras semeadas nas avenidas

ruas desertas

cansadas

das meninas

sem janelas para as andorinhas do silêncio eterno

quando dorme a cidade na tua mão de marinheiro sem porto nem barco nem destino,

 

sem dinheiro

à via láctea da saudade

a viagem para a outra distante margem

funda

imunda

nos cigarros inventados pelo louco jardineiro do amanhecer

quando dorme

sem janelas,

 

e sonha com o mar de pérolas desenhadas na areia

funda

imunda

a saudade

na partida

quando cessa o regresso

e todas as árvores

e todas as árvores tombam sobre a noite de ninguém...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:19

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:31
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13
Nov 12

Escrevo-me na parede transparente dos teus lábios

silenciosamente cansados das palavras suspensas na janela da saudade

ouvem-se os murmúrios dos albatrozes

e a saliva do texto nu sobre a cama de cinzento vidro

a cidade fervilha nas distantes árvores de papel invisível

escrevo-me

na parede

dos teus lábios

transparente a noite que absorve os nossos corpos e tortura-os

nos gemidos dos sexos deitados no poema

escrevo-me

escrevo-me sempre que oiço a tua voz,

 

ao cair a noite sobre nós

descem da cidade

transeuntes apressadamente fingindo a felicidade

nas ardósias da tarde

oiço-me quando o espelho de chocolate

derrete nas tuas mãos incisivas

ao cair a noite dentro do quarto

sexta-feira abro-te e escrevo-me na saliva do texto

palavra por palavra

uivo entre os outros muitos uivos

das perdizes alienadas pelo cansaço da aldeia

escrevo-me nas tuas coxas que o homem da guitarra desenhou no muro da paixão,

 

escrevo-me

escrevo-me no gelo circunflexo do amor

às janelas de longe terminam o cais das sandálias de couro

ou os barcos no regresso a casa

em abraços

e pouca coisa nas mãos indefesas nefastas oleadas pelas marés dos rochedos

que a tua boca engole quando me aproximo da madrugada

escrevo-me no mar

e nas paredes da solidão

crescem as rosas vermelhas

de olhos verdes com luzinhas cintilantes nas pálpebras de aço

que o homem da guitarra desenhou no muro da paixão...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:46

12
Nov 12

O dissilábico falso amanhecer

à mão de papel

que a noite desencanta

uma rua deserta

pura

alimenta as fissuras de um coração

aos parêntesis desenhados nos teus olhos roubados pela noite

longe dos oceanos

barcos engasgados no purpuro cabelo do vento

a alma do falso amanhecer

à mão transversal das paredes do destino

deus na janela do prazer

 

e alicerça-se em ti a saudade

como as palavras

como os desenhos invisíveis que a noite come no veneno do teu sofrimento

pura

alimenta

as fissuras de um coração com sal e pimenta

 

coitado de mim tão frágil dentro dos lençóis da insónia

pura

a alicerça-se

como o poema

dentro de um quarto com fotografias de corsários

e piratas

governando

não governar

as vaginais cansadas madrugadas abraçadas ao infinito

desiludidas canções de engate

o Rossio sentado em mim

e sinto-me uma gaivota perdida nas mamas do dissilábico falso amanhecer

 

hoje não é sábado

e a livraria está encerrada

o bar paralelepípedo do desejo olha o Tejo

saltita entre as aranhas da cidade adentro

um longínquo gemido atravessa a parede da paixão

hoje não é sábado

e a livraria está encerrada

a farmácia dos sonhos

com os livros de sexta-feira na algibeira do domingo saudável

desgraçadamente

não é sábado

e nunca acordarão os extintos medos dos teus braços de mel.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:35

uma gaivota de sémen mergulha nos lençóis húmidos da madrugada

quando do clitóris desce o Rossio em direcção ao rio

das palavras

sento-me apaixonadamente no Jeronymo (Chiado)

e enrolo-me no café amargo que da mão da caneta de tinta permanente

escreve “para ti, com amor”...

e um silêncio de noite

entranha-se no novo livro de A. Lobo Antunes (Não É Meia Noite Quem Quer)

e eu quero

preciso urgentemente que seja sempre sábado

noite

sem estrelas

nem árvores

apenas o mar

e o rio

apenas tu

com amor

no poético corpo de gelo que a madrugada me oferece.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:12

08
Nov 12

O imperfeito incrédulo transeunte emagrecido

nas pálpebras azuis do destino

podia acordar a alvorada

e escrever nas paredes cansadas

que as arcadas cadeiras sem focinho

constroem na insignificante janela do Outono

ai a cidade com um rio travestido de mar

e o mar

e o mar em engates na maré do silêncio

o amor é o amor

das palavras

e no corpo tua boca em soluços madrugadas,

 

o amor amar os barcos em sucata

pedacinhos de aço

nos lábios desejados das ranhuras frestas do granito jazigo literário

os poemas em festa

orgias

e danças de salão na cave do eléctrico para Belém

deixando a Ajuda nas águas transversais adormecidas das gargantas loucas

e eu procuro-te pensando nas árvores infinitas tuas mãos

abraças-me?

dar-me-ás um beijo invisível com sabor a chocolate?

abraças-me nas finíssimas argolas de papel suspensas no tecto da algibeira?

e as vacas do tio Serafim comeram toda a erva do meu caderno preto,

 

e dou-me conta que não estou louco

nem doente

estou apaixonado

feliz por ser amado

e é nos momentos que me apetece adormecer eternamente

que quero amar loucamente os cortinados loiros dos teus olhos encarnados

(O imperfeito incrédulo transeunte emagrecido

nas pálpebras azuis do destino

podia acordar a alvorada)

podia adormecer a noite

e todas as lâmpadas se extinguirem nas sombras da calçada

porque eu não me importo que chovam as palavras que a cidade transpira,

 

não me importo das vacas do tio Serafim

nem dos livros ainda não escritos

e dos poemas que apenas fazem parte do teu ventre lilás de sílaba acácia

que os dias mortos desenham na areia

não me importo da chuva

e do vento sem vento fingindo ser vento

porque a paixão come a erva do meu caderno preto

perco todas as palavras semeadas na Primavera

perco as gaivotas melancólicas do Tejo enjoado

também ele apaixonado

pelas pequenas flores que os barcos transportam

e deixam abandonadas no fundo oceano o desejo construído com os insectos...

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:33

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