Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

23
Jun 13

Real Palácio Hotel Apresentação de “Palavras de Cristal – Volume 1” Colectânea de Poesia. Participação de Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:34

22
Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Trazias-me os solstícios dentro da boca em lábios de cereja

tão doce e bela

a cereja envenenada pelo silêncio de ti procurando pedaços de mar

em marés enroladas livremente no teu pulso acorrentado ao meu indesejado

coração de fina areia em pálpebras de cristal,

 

Sei que te transformas em luz

e te perdes nas imagens nocturnas das fotografias sem versos

quando te envio versos ao domicílio

esquecendo-em que vives em mim

não me pertencendo... porque voas como os pássaros e és de papel,

 

Apenas sinto o teu corpo na distância de um milímetro linear

ao fundo da calçada

o rio

e a destreza das tuas lâminas faciais com pergaminhos bolor

e uma flor passeia-se na palma da tua mão,

 

Beija-me como te imploro dos desenhos nas paredes invisíveis que dividem

os dias e os beijos infinitos

à janela de ti as coisas orgânicas transformadas em húmus beleza

que sobeja da tua pele derramada canção em pétala madrugada

poisava-te a mão se tu existisses em mim como eu existo de ti,

 

Trazias-me os... em lábios de cereja

sentavas-te no meu colo e pacientemente

afagava-te o loiro cabelo em pincéis de veludo

corrigindo rugas imaginárias da tua inexistente bronzeada caligrafia

sobre o teu seio socalco em círculos dentro do Tejo teu púbis...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:50

21
Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Praia, mar, sol... poesia, corpo, poético entre os raios coloridos do nocturno desejo, o colorido poema fantasiado de arraial círculo que em noites de Verão rompem na aldeia como lâmpadas sobre o tecto silêncio da pele saboreada pelas sombras de mim,

Louco, ele, ela, as coisas compostas e as não compostas,

O colorido poema tridimensional submerso sobre a falsa areia, as conchas de plasticina alicerçam-se aos tentáculos da solidão, há uma mulher em fuga, esconde-se debaixo da palmeira do largo S. João, ouvem-se ainda réstias de migalhas que sobejam da boca dos pássaros esfomeados, transformados em lenços de papel, da algibeira, a mulher em fuga, guarda uma chave, e não sabe, e nunca conseguirá saber... que porta se abrirá...

De entra, poderá ser uma porta de saída, dizem-me que todas as portas servem para entrarmos, e sairmos, ou para alguns se suicidarem, conforme o meu vizinho do rés-do-chão direito, coisas tão simples, que nós, às vezes, os vizinhos, complicamos, com a amizade, me despeço de ti até sempre, e nunca

Nunca mais apareceu junto aos arbustos onde existia um granítico banco com escotilha para o Tejo, livrai-nos senhor destes abutres esganiçados pela carne apodrecida, esperando as árvores tombarem, ainda vivas, correndo pelos corredores da insónia,

Tenho a fome do prazer entre palavras e cristais líquidos, transparentes como a pele escaldante da musa inspiradora, sobre o sofá, de livro na mão e ouvido encostado à parede de gesso, do outro lado, dois corpos transpiram, desejam-se, e ouvem-se os gemidos do cansaço, um, dentro do outro, como o cimento cola a suspender azulejos brancos numa parede enferrujada de um velho cacilheiro, havíamos de descobrir o silêncio enquanto fazíamos amor

Foram as suas últimas palavras antes de descobrir que a caixa em madeira onde dormia, não era um quarto a sério como o da prima Augusta, mas sim, e só, a caixa de fósforos do tio Augusto, coincidência, hoje percebemos que nas equações diferenciais existem beijos disfarçados de loucos corpos, tórridos, de loucas, sebentas com capa de cabedal, e o amor, fazíamos-lo junto às prateleiras que hoje, quase todas, vazias, mortas, e nunca mais senti durante a noite aqueles passos trôpegos sobre o meu tecto, e nunca mais ouvi o telintar dos talheres esquecidos dentro de pratos em falsa porcelana, faiança milagrosa que serviu para sobrevivermos durante alguns meses, e nunca mais, senti, o clique... do interruptor da sala de jantar,

E assim, deixamos de ouvir o raiar da noite,

E quando se enfureciam, elas, entravam-nos pela janela como se fazia nas ruas antes de acordar o Verão, puxávamos os lençóis da neblina e começávamos a sonhar com poesia dissimulada em corpos tórridos...

Sem nuvens,

E assim, deixamos de ouvir o raiar da noite, sem nuvens, como dizíamos, azulejos brancos numa parede enferrujada de um velho cacilheiro, havíamos de descobrir o silêncio enquanto fazíamos amor...

 

(ficção não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:55

20
Jun 13
publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:27

foto: A&M ART and Photos

 

Tudo é tão pouco dentro de mim

quando vejo este meu navio enferrujado mergulhar

suspenso numa árvore de cartolina colorida

cansado

amargurado porque dizem-lhe que deixou de haver mar

como o escrevem nas paredes invisíveis

que jamais existirá amor

os homens e as mulheres todos morrerão

todos os barcos se afundarão

e haverá eternamente mar

e amor

palavras e versos sem sentido contra as nuvens do amanhecer,

 

Tudo é tão pouco e tão vago

como as ruas triste de uma cidade sem coração

com todas as janelas enceradas

portões de entrada

sótãos e escadas em madeira

que é tão pouco

dentro de mim

como um rio sem fim

vagueando sobre as oliveiras dos silêncios

este meu corpo de sílaba adormecida

poisado nu sobre o papel de embrulho

que servirá como teu lençol nos divãs do desejo...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:46

19
Jun 13

foto; A&M ART and Photos

 

Via a terra desaparecer dos meus olhos, sentia-a em pedaços de vapor a todo o comprimento do meu corpo, e pensei

É o fim, o eterno fim,

As nuvens tristes, prontas a comerem-me, saborearem-se com a minha carne em cadáver, como o fazem os abutres (aves e humanos), das poucas gotas de chuvas que sobejavam dos lobos dispersos pela montanha, ainda coberta pela neve do Inverno, havia um que me chamou à atenção, e de tão distraído que sou, só depois de o observar, uma, duas, três... talvez quatro vezes, percebi que ele trazia na lapela uma folha de papel com um desenho ilegível, perguntei-lhe

Querido lobo, que desenho é esse?

Cerra os olhos, finge que eu sou uma pedra, um arbusto ou pior, que eu não existo, deu meia volta e desapareceu entre os outros companheiros, como quem foge do silêncio quando as palavras apenas servem para interromperem a noite, desviarem todas as estrelas dos espelhos côncavos das cidades sem rios, e

Querido lobo, que desenho é esse?

Se possível, mesmo antes de acordar a manhã, fazer com que todas as lâmpadas da cidade se apaguem, como os corpos putrefacto, dentro de um congelador gigante, numa qualquer morgue, onde existe sempre uma flor não identificada, à espera, que desespera a chegada de um abutre, e assim, aliviar todo o sofrimento dos corpos sem cabeça, sem braços, sem leme que seja possível prosseguir viagem,

Há uma lenda que alimenta desde os primórdios os mosquitos de asa tricolor, e sobre o fino prato de sopa, infelizmente, apenas só, em permanente solidão, que como o corpo putrefacto, espera e desespera pela chegada..., neste caso da dita sopa, não do abutre (ave ou homem), apetecia-me ouvir POP DEL ARTE, e como teimoso que ele é

Acredito,

Acreditar, porque não? Até prova em contrário, todo o réu é inocente, como assim?

Acredito, eu acredito,

E como teimoso que ele é, acredito que passe o resto da noite a ouvir POP DEL ARTE, depois, depois pegará num livro de poemas de AL Berto, entre um poema ou três no máximo, deliciar-se-á como um pássaro a atravessar o Oceano, lê os poemas, ouve a música, adormece suavemente como

“Vi a terra desaparecer dos meus olhos, sentia-a em pedaços de vapor a todo o comprimento do meu corpo, e pensei

É o fim, o eterno fim,”

Como se tudo em si fosse um misero sono dentro da cabeça de um mosquito com asas tricolores, dentro de um prato de sopa, sem sopa, como à janela da solidão, e o desgraçado do lobo, até hoje, nunca me saciou a curiosidade e me contou o significado do desenho ilegível que trazia na lapela...

É o fim?

Eu, acredito, acredito que não..., vi a terra desaparecer dos meus olhos, sentia-a em pedaços de vapor a todo o comprimento do meu corpo, e pensei

Vi o céu a desaparecer, e pensei

Vi, e pensei...

Hoje, POP DEL ARTE e AL Berto, porque não? Acreditar...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:17

foto: A&M ART and Photos

 

Me beije senhor invisível

me acaricia com suas mãos de luxo revestidas em veludo

me poise sua pele sobre a minha pele

me aleije

senhor de papel,

 

Me acorrente ao sabor da boca em silêncio

me deite em si

o meu corpo deleite com sabor a amanhecer

me aleije

me abrace meu senhor das madrugadas difíceis,

 

Me beije senhor das esplanadas

faça de mim uma árvore com ramos e flores

com pássaros e vampiros desesperados pelo sangue suor das coxas minhas...

me aprisione

senhor meu senhor invisível...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:06
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18
Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Enquanto ela diz “FUI” eu escrevo “VOU” e se me perguntarem para onde... bom, ainda me sinto indefinido, sem saber realmente para onde, local, se possa existir um local a esta hora para aportar; nos braços de alguém? Na jangada (não a de pedra) mas, numa outra jangada... em formato normalizado, de nome cama, com uma almofada achatada, sem bolinhas nem desenhos nem bordados, enquanto ela diz “FUI” eu escrevo “VOU”...

Talvez um porto longínquo com alicerces de braços espere pelo regresso da minha barcaça, duzentos e seis ossos, e uma vela de linho, olhos verdes... e cabelo com pinceladas de amanhecer e mergulhada no cacimbo; entre o claro e o incenso amargo da loucura, e do prazer...

Enquanto ela diz “FUI”... eu... escrevo... “VOU.

 

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:37

foto: A&M ART and Photos

 

Conheci uma borboleta com bolinhas prateadas nas asas maleáveis de porcelana embriagada manhã, um dia, e quando já me tinha habituado à sua presença no parapeito da janela da biblioteca, percebi pela sua ausência sem qualquer explicação, que algo de muito grave tinha acontecido,

Um terramoto derrubando todas as árvores do meu jardim invisível? Ou.. também pensei na fraca probabilidade de ela ter morrido, pois diz o povo, que as más notícias são sempre as primeiras a saberem-se, entenda-se agora por más, má pessoa? Má vida? Má, ela? Nunca me apercebi de tal facto, sempre afável, meiga, terna, que às vezes até parecia que tinha chegado de um favo de mel,

E não era para mais, nos lábios de prata sempre a suspensa lágrima de açúcar, derradeira melodia dos primeiros sons do amanhecer, batia-me à janela, eu, quando a ouvia, porque muitas das vezes dormia tão profundamente que nem me dava conta que o edifício contiguo tinha desabado durante a noite, e todos os meus vizinhos desalojados, cerca de vinte famílias, tinham sido acolhidos na pensão da rua das traseiras, má, porque frequenta-se por homens de fraco calibre, mulheres petroleiro que quando se aportavam num cais com fundações suficientemente alicerçadas aos rochedos bem lá no fundo, nunca mais o abandonavam, chupavam-lhes tudo, inclusive as algibeiras,

Um terramoto?

As urtigas dormiam debaixo dos meus velhos lençóis

(canso-me deste vibrador sobre a minha secretária, canso-me, e provavelmente brevemente desligar-se-á, ou... também pensei na fraca probabilidade de ela ter morrido, mas felizmente que está vivo, de boa saúde e a atrofiar-me a cabeça; claro que me refiro ao meu telemóvel... Que pensavam vocês, seus malandrecos?)

E quando por lapso me encostava a elas, sentia-as na minha pele fina e sedosa, aleatórias madrugadas ausentada de ti, recordava os teus lábios com lágrimas de açúcar, recordava as estranhas janelas que sempre prontas me abrias, eu entrava-te e tu depois, olhavas-me, sorrias-me... e dizias-me na tua voz maliciosa e poética

Amo-me minha querida,

Às palavras, todas as caixas perdidamente empilhadas sobre os telhados zincados dos veludos musseques esquecidos nos pequenos charcos que a chuva depois de partir deixava sobre a terra agreste, seca, recheada de fendas como a pela das mesmas mulheres, as de má... que frequentavam a pensão das traseiras, tocava-te nas pernas, poisava-me lá, e tu, indiferente, indecisa

Não sei se quero,

E tu desentendida

Não percebi filho,

E tu

Perdida no silêncio... dizias-me que as fotografias são esqueletos de papel prensados, e tal como as tostas-mistas, de preferência, comem-se quentes, porque são saborosas, porque tu inventavas borboletas como quem inventa palavras, e que eu saiba

Mas tu não sabes nada,

Não existem borboletas com bolinhas prateadas nas asas maleáveis de porcelana embriagada manhã, não existem janelas com parapeito em granito, e nem sequer tu dormias em casa quando o edifício contíguo ruiu e desalojou os meus, repito, os meus vizinhos, porque nem isso tu conseguiste... viver comigo, e transformares-te em urtigas. Patife.

 

(ficção não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:10

17
Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Gosto da tua amizade, precisamente, pela tua franqueza e sobretudo optimismo, claro que é bom regressar a Lisboa, e treinar a caligrafia para prováveis autógrafos, ainda melhor,

Enquanto lia o teu coração, lembrei-me de um Livro de José Luís Peixoto “Dentro do Segredo”, sobre a viagem que ele fez à Coreia do Norte, autógrafos, fazem-me lembrar os Norte-Coreanos, e claro, todos eles são muito baixinhos, agora, imagina tu, que eu imaginei, que enquanto autografava um livro, aparecia-me uma Norte-Coreana, puxa a t-shirt e diz-me

Quero um autógrafo no meu seio esquerdo,

Boa, penso eu, e agora? E Agora Francisco?

Pego na caneta, e tremulamente, escrevo... Francisco Luís Fontinha, com amizade, e claro, ela sorriu, e foi-se embora…

E nunca mais utilizarei a minha caneta de tinta permanente, apenas um corpo poético consegue sobreviver às palavras, apenas este corpo consegue embrulhar-se entre a poesia e o sonho, ou entre a noite e a madrugada..., às vezes, entranha-se no prazer, e voa, voa como uma gaivota desgovernada

E agora, Francisco? E agora? Que faço com este corpo poético, literário e desejável? Transformar-se-á em palavras, no verdadeiro poema? Ficará corpo de mulher com formato de livro, terá mãos para me acariciar o rosto desgrenhado pelos socalcos do Douro? Terá olhos, pálpebras e lábios para me beijar? E agora... Francisco...

Gosto, do autógrafo semeado na areia molhada da feliz gaivota desgovernada, gosto da tua pele misturada em melódicos sons embainhados dentro da manhã, ela dança, e mexe-se com a ligeireza de uma andorinha em pequenos círculos, perguntas-me

Qual é o perímetro de um círculo, sei, mas simplesmente não me apetece responder-te, perguntar-te-ia, para que desejas saber o perímetro de um velho círculo, imobilizado pelo gesso do hospital, alguns dos ossos não sobreviveram às rotações em redor de uma eira granítica, e no seu centro de massa, o canastro, o milho, o teu

Corpo?

Em fatias poéticas, dentro de dois pedaços de papel, açúcar sobre a pele complexa dos cansaços à beira rio, e em dolorosos soníferos entram e saem barcos de ti, imaginava-te um socalco esculpida na montanha com acesso ao rio Douro, imaginava-te a tal Norte-Coreana,

Quero um autógrafo no meu seio esquerdo,

Boa, penso eu, e agora? E Agora Francisco?

Pego na caneta, e tremulamente, escrevo... Francisco Luís Fontinha, com amizade, e claro, ela sorriu, e foi-se embora…

E

E ainda...

Corpo?

E ainda hoje não entendo muito bem as t-shirts que enrolam corpos poéticos, literários e afins...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:15

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