Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

29
Jul 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Cortas em fatias douradas a triste madrugada

corre em ti sonâmbula um rio nas linhas de aço do amanhecer

cortas as nuvens silvestres percebendo-se nelas as cansadas manhãs de solidão...

carnívoras palavras alimentam-se de ti

e em ti

comestíveis poemas sobre as velhas searas adormecidas,

 

Entranhas-te no meu peito fumegante em cinzas invisíveis dos cigarros vegetais

amar-te-ei como o mar que engole silêncios de velhos barcos enferrujados

inscritos em ti os últimos desejos da noite com sabor a ébano das montanhas de espuma

entranhas-te como a água salgada nas rochas da solidão...

e em ti

de ti... o sabor da tua língua procurando os milímetros quadrados dos meus braços,

 

Saborear-te ensanguentada de gemidos uivos e pequenas gotículas de suor

o odor embriagado dos teus seios que sobejaram das tempestades de areia

os vómitos das pequenas árvores abandonadas

sobre o oceano desencanto navegável...

não esqueço os desenhos em prata

que dos teus mamilos voam sobre a cidade do amor...

 

Desenhar-te como um rio vagabundo

indomável como eu correndo sobre as calçadas de granito sapateado...

sou como tu eu nu

invisível saborear-te em pedaços papel amarrotado com chocolate

desencanto desenhar-te não percorrendo com os meus dedos

o corpo teu que tu inventaste para mim...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:19

foto de: A&M ART and Photos

 

O corpo viciado em pequenos pedaços de espuma, mergulha, flutua..., o corpo sensível e volátil, voa, voa livremente sobre as acácias em flor, o corpo viciado em poema, disfarçado de personagem imaginária, o corpo vivo, do prazer, ao sonho, como um livro, um livro recheado com palavras, desenhos... um livro teu corpo de ler,


Define paixão!
Define… definição
Corpo
Coração,

Define amor!
Define… definição
Corpo
Canção,

Define madrugada!
Define… definição
Criança
Zangada,

Define flor!
Define… definição
Mulher
Dor,

Define prazer!
Define… definição
Sexo
Escrever.

 

O corpo mergulha, transpira, vive, vive como uma sílaba embebida numa simples folha em papel de parede, o espelho, a vida, o corpo que é o teu, simples, complexidade, circular, cúbico, os teus olhos, mergulhas, és esfinge, és literatura, espuma, mar, o corpo teu que voa, que tem asas, tua, minha, deles... destruída, a paisagem, tua, como uma janela despedaçada, húmida, partida, forçada..., tua, Tua..., um corpo e uma parede, nua, mergulha, cintila, e as pálpebras ao rubro, o desejo percorre as mandíbulas da rua,

Nua, tu, tua, o corpo, o teu, aquele que alimenta os espelhos, aquele que acompanha a Primavera, aquele que embrulha os tristes lençóis de seda, aquele teu corpo de ler, invisível, como as palavras nele, como as palavras nele escritas, desenhadas, premeditadas...

O corpo, o teu belo corpo em cerâmica e pintado com os dedos finos às lâminas da mão do prazer, uivos, gritos, gemidos, pedras partidos vidros, o corpo, teu corpo de ser...

Escrever,

Sexo?

Quando a mulher existe, quando a mulher se transforma em pedra anelar, em Lua, luar..., em planeta, foguetão, em astronauta, quando o corpo da mulher submerge até ao infinito cubo silêncio dos pássaros vadios, rebeldes, como tu, em teu corpo, simples, de palavras, as palavras do ser...

 

(não Revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:28

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