Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

15
Set 13

foto de: A&M ART and Photos

 

colocas-me a navalha do sofrimento

sobre os meus lábios ensonados

sinto-te fria e distante

sinto-te além

ausente

e aqui ao lado

lá fora perto de uma árvore que acaba de tombar

um pequeno sorriso ergue-se no meu jardim

e de um simples olhar

os teus olhos entram juntamente com a maré

em mim

e o meu corpo pertence-vos...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 15 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:39

http://www.carmovasconcelos-fenix.org/LOGOS/LOGOS-4SET-2013-16.htm

Participação na logos nº 4 Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:40

14
Set 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Não respiro, as tuas calças sufocam-me e entro no vazio da melancolia que deixaste ficar sobre a mesa da sala de jantar, sento-me e adormeço até que sinto acordar o dia vestido de tristeza, a agonia entranha-se no soalho junto à lareira, imagino-te caminhar descalça no pavimento encerado sobre a madeira estrangeira, vejo no chão o espelho que nunca vi e que pensava não existir, caminhas, nua, só minha, só para

Para ti, meu querido, apenas,

Só,

Como as árvores não plantadas do teu quintal com vestígios de silêncio, e ao longe, imaginamos o mar entrar-nos pela janela do quarto, oiço a tua doce voz no tal

Espelho em soalho encerado?

No teu corpo, no teu corpo como ontem existiam peixes no aquário que tinhas no Hall de entrada, a porta evaporou-se e todas as janelas

Morreram?

Voaram como lágrimas em queda livre da tua doce face em claridade alface,

Morreram... como morrem todas as paixões e todos os esqueletos com duzentos e seis ossos, expirou a validade dos teus beijos, e a cidade respira ingenuamente como uma planta esquecida num dos imensos jardins em Belém, não respiro eu, e sei que as tuas calças deambulam como desassossegos verdes contra as paredes de gesso dos compartimentos que nunca saíram do papel, projectos, desenhos concebidos milimetricamente para se afogarem no rio da saudade, hoje, hoje dizes que sou eu, hoje sinto-me um barco a flutuar nas tuas coxas, hoje

Só...

Hoje percebi que as imagens de mim são reflectidas nos fantasmas dela, e que ele pertence à cidade, é filho do ciume, ele

Só?

Hoje percebi que as imagens de mim são reflectidas nos fantasmas dela, e que ele pertence à cidade, é filho do ciume, ele delicia-se com as mensagens secretas dos pensamentos travestidos telepaticamente depois de cair a noite sobre os largos ombros, sento-me e adormeço até que sinto acordar o dia vestido de tristeza, a agonia entranha-se no soalho junto à lareira, imagino-te caminhar descalça no pavimento encerado sobre a madeira estrangeira, vejo no chão os barcos enferrujados, vejo no teu chão palavras, muitas palavras para mais tarde escrever, ler, rasgar, pintar, palavras em pequenos molhos e vendidos nas ruas ímpares, e hoje

Só, eu, perdido na cidade com dentes de marfim e garganta de xisto, oiço-te quando me chamavas e eu acordava embrulhado em cobertores de lã, era verão, questionavas-me

Tens tanto frio, meu querido, estamos no verão...

Imaginava o que pensarias, imagino hoje o que pensas... quando percebeste que eu era uma paixão impossível, quando percebeste que eu era um pássaro em aço e impossível de destruir, tens... frio... no verão,

Só, então!

E vi no teu soalho encerado as lágrimas que foram minhas, quando tu ainda criança, eu, eu voava sobre as nuvens e as gaivotas, e quando acordava, percebia

Percebias...

Querido, tu estás na lua?

Claro que não, apenas frio, frio...

Percebias que eu era de pano, que eu era um espantalho que decidiste queimar numa fogueira juntamente com alguns dos livros que sobejaram das vendas clandestinas,

O jardim

Só,

Ardia, ardia como ardem as cidades de palha...



(não revisto - ficção)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 14 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:11

foto de: A&M ART and Photos

 

existes porque eu quero que existas

choras

não porque eu quero que chores

abraças-me porque eu quero que me abraces

amas-me

não porque eu quero que me ames

existes

insistes

e não desistes...

choras porque há nuvens de azoto nas pálpebras do Sol

porque eu quero que tenhas asas

e que voes e que voes.., como uma gaivota em desejo

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 14 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:54

foto de: A&M ART and Photos

 

os medos teus absortos molhados olhos

os sofrimentos dele embrulhados em pedaços de papel cansados pelo peso das palavras

um livro húmido sobre a cama da paixão

liberto e amorosamente flutuante nas clandestinas janelas do desejo

o mar suspenso na tua mão de pétala cidade com telhados de vidro

o cubo onde te escondes

e dormes

transformado em insónia

os medos das nuvens encarnadas

como das flores pedestres nos abraços dela

e mesmo assim... escondo-me em ti

fujo das rochas xistosas que vivem nos teus cabelos

 

desço socalcos até acariciar os lábios do rio

deito-me na garganta invisível dos túneis onde os corpos deles escrevem quando lá fora chove

há lâmpadas indesejadas nas ruas da cidade

como homens e mulheres

também eles e elas

indesejados e indesejadas

por outros homens

por outras mulheres...

 

os medos teus... molhados olhos

e deitas a cabeça no ombro que dizem pertencer-me

e deitas as pálpebras cinzentas

como gotas de água...

na minha boca de luar

pelos molhados olhos... teus

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 14 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:59

13
Set 13

foto de: A&M ART and Photos

 

a ditadura do teu olhar

arrependido nos cortinados das palavras embriagadas

uma corrente de medo enrola-se ao teu peito de incenso

e à janela

acorda a noite vigiada pela tempestade dos teus lábios

 

sou um pequeno barco enferrujado

vagueando entre pontes e carris desmantelados

sinto em mim a tua língua à poesia mendiga

que vou escrevendo no teu vagaroso corpo

como as teias de aranha do púbis que engole a manhã

 

sou o pulso dos gritos uivos que desabitam a tua mão com sabor a paixão

e entra em nós o silêncio desejo

o caranguejo que se esconde na velhíssima carapaça de aço

voando sobre a cidade em ruínas...

e sei que tu recordas as palmeiras do largo em lágrimas dos paralelepípedos como sandálias escorregadias

 

ou montículos de areia

deitados junto às rochas em desassossegos cansaços de sémen

esperamos a maré desajeitada

sobre uns míseros lençóis de cartão

escorregadias... as palavras que sussurras em mim da madrugada marginal

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 13 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:10

12
Set 13

Foto de: A&M ART and Photos

(se o vinho é Grimalde... só ela o sabe)

 

bebo-te quando mergulhas nas doces gotículas do orvalho

silencio-me nas tuas mãos híbridas

e húmidas entre fantasmas e canções de amor

amo-te nas pétalas clandestinas dos olhos azuis

que os teus dedos deixam adormecer no meu rosto cinzento

e triste porque pareço um relógio de pulso perdido na algibeira da poesia

bebo-te sabendo que és uma flor emagrecida dentro do espelho da saudade

parecida com as gaivotas dos rios nocturnos que a insónia semeia no teu peito de areia

amo-te como amo as palavras insignificantes

palavras dispersas voando debaixo dos arciprestes nas lareiras da paixão

bebo-te como se fosses o melhor vinho dos socalcos envenenados pela tristeza...

e tu pareces uma tela suspensa na parede do meu segredo

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha - Alijó

Quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:46

11
Set 13

foto de: A&M ART and Photos

 

um cigarro esquecido

na tua boca de serpente

envenenada pela solidão

em ti

um cigarro ardido

de ti

ausente

quando o coração

de uma árvore parte e voa em silêncios de espuma

um cigarro mordido

em teus lábios de ternura

em ti de ti... senti

 

em ti

e de ti

 

a claridade mente

a madrugada distante

como as águias dos esconderijos mergulhados em ténues mãos de areia

ardem como as palavras incandescentes

e as sereias

parvas

em pequenas sementes

do corpo embrulhado em tristes larvas...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 11 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:25

3º Encontro com Escritores da Lusofonia - Montemor-o-Velho

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:45

10
Set 13

foto de: A&M ART and Photos

 

O só, o castanho cabelo das árvores inseminadas nas tardes de literatura, vi-a como só, vestida dentro de uma voz melódica, poética, dizem que o amor vive dentro de um cubo de vidro, e que durante a madrugada, ele, só, brinca com o hipercubo da vizinha do rés-do-chão direito, lá fora não há sol desde que partiram os cortinados de cerâmica, lá fora há apenas vestígios de lágrimas, uivos e folhas espalhadas pelo pavimento chão em madeira tratada, de um cubículo mobilado apressadamente, um vulto de areia grita por mim, diz-me que o amor

Amo-a, menina, amo-a... sabia?

Claro que não, diz-me que o amor é o amor, que a noite é a noite, que as viagens à lua são as viagens à lua... e que no quintal dela habitam roseiras bravias, e nos lábios trazem pergaminhos de poesia, o só, eu, o castanho cabelo das árvores

Amo-a..., sabia?

E cansei-me do sono, das luzes quando desce sobre ti a noite, cansei-me das retretes e dos mictórios com o letreiro

“não deitar pontas de cigarro”

E cansei-me das estrelas, e dos cinzeiros com letreiros...

“não urinar dentro do cinzeiro”

E cansei-me dos letreiros... “hoje há caracóis”

Gritas-me

Já não temos caracóis, amo-a menina, se fosse há coisa de cinco minutos... e como sempre, cansei-me de andar e chegar atrasado a todas as ruas da cidade, espero-a na paragem do autoruas...e vejo-a caminhar rapidamente em direcção ao rio, e sinto as ruas em pequenas corridas, apinhadas de gente, não param, seguem, rua acima, rua abaixo

Acima

Abaixo o capitalismo,

Não param, buzinam, gritas-me

Amo-o... menino, sabia?

Acima

Abaixo o capitalismo,

Rua abaixo galgando as gruas enferrujadas dos velhos guindastes de pano, os sapatos pontiagudos apertavam-lhe os dedos do pé, raio

Gritava ele,

O casaco e a camisa pareciam papel de engenheiros, transparentes e embrulhados em tinta da china, e uma triste gravata

Acima

Abaixo o capitalismo,

O pescoço torcia-se, vacilava, e uma andorinha uivava sobre os teus crisântemos seios de névoa adormecida, Acima

Abaixo o capitalismo,

Não param, buzinam, gritas-me

Amo-o... menino, sabia?

Acima

Abaixo o capitalismo,

E respondo-lhe

Se eu soubesse...

E se também eu soubesse...

Não

Não?

Não, nãos escrevíamos estas parvoíces, sem sentido, como serpentes de uva embebidas em longas e distantes prisões com grades de ébano, e do Éden Jardim

Não, não o sabia... menina,

Dormem os anjos das coxas encarnadas, vivos, e gritam, gritam...

E cansei-me dos letreiros... “hoje há caracóis”.

 

(Não revisto – Ficção)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 10 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:13

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