Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

04
Jan 14
publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:00

03
Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Prefiro esquecer

não olhar o mar sobre as pedras cinzentas da dor...

não chorar porque nas lágrimas habitam os pássaros em papel

como palavras vivas

como... prefiro esquecer o sofrimento ensanguentado da noite

sentado

e adormecer

eu cansado... cansado de esperar que se ergam as flores do triste Inverno.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:30

02
Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Sinto-me ausente como os barcos da minha infância

oiço os loucos apitos das orgias nocturnas dos pássaros anónimos em mim

finjo escrever no corpo da alma

acredito voar se saltar a varanda e passear sobre os telhados de Alfama

os bares em Cais do Sodré

o rio... o rio que me chama... e eu... e eu não vou

pronto

não quero

porque não me apetece olhar o mar

sinto-me transeunte como as formigas empanturradas em açúcar e compota de abóbora...

não quero conversar com ninguém

prefiro a ausência,

 

A minha santa ignorância... sou um Réu sentado em cima das rochas de espuma

sou um corpo deitado sobre outro corpo

mórbidos nós... até que a morte nos separe... penso em ti

e nunca sei quem és

como te devo apelidar...

se

ou

sinto-me ausente como as serpentes e os barcos da minha infância,

 

Além habitam os charcos lamacentos das bibliotecas em flor

aqui... nada que preste

aqui apenas a minha sombra espetada num farrapo junto a um espigueiro...

o telhado chora

e range

as ripas fazem amor com os pregos enferrujados...

gritam

uivam

e lá dentro

pedaços de nós em pequenas espigas de milho adormecidas no cansaço da morte

não sei... ainda não sei o teu nome

como te despes... como... qual é a tua relação com o espelho do desejo?

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:29

Quadro de Horacio Febrero de Queiroz

 

É com enorme prazer e satisfação que um Texto meu vai integrar o livro “Pintura e Texto” sobre os quadros do pintor Horacio Febrero de Queiroz.

Obrigado à Pastelaria Estudios Editora, Teresa Maria Queiroz e ao pintor Horacio Febrero de Queiroz.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:40

01
Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

A flor do desassossego acorda-me com se eu fosse um metro quadrado de terra não fértil

como se eu fosse um pedaço de papel ainda não escrito

doente

debaixo da sombra dos embondeiros

oiço os mabecos vomitarem as sílabas de aço das poucas palavras pronunciadas

gordas... acabadas

tristes como eu porque o dia não cresce

porque a lareira do desejo afunda-se nos cinzentos beijos da madrugada

“a flor tu” que o calendário da paixão colocou na parede da minha mão...

“a flor tu” que eu recuso tocar

porque as nuvens prateadas são como as sandálias... esquecem-se de caminhar

e morrem no mar,

 

E eu toco-te sem perceber que os abraços são filhos do vento

e “a flor tu”

um fino esqueleto de luz voando sobre as montanhas do prazer

a flor

a flor do desassossego acorda-me

enoja-me

faz de mim um velho mendigo sem casa para habitar

sem palavras para escrever...

sem jardins

sem nada...

e eu toco-te e tu...

e tu... tocas-me pensando que sou uma pedra de xisto esquecida nos socalcos do destino.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:33

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