Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

19
Mar 14

Aqui, permaneces intocável, como o guião de um filme em construção,

aqui sentes-te o herói térreo das sombras cristalizadas,

funestas palavras, os cigarros voam sobre as árvores do quintal,

há uma nuvem de açúcar quase a evaporar-se nos teus lábios,

e sentes?

sentes as palavras não ditas, aquelas que escrevíamos em noites de ninguém?

sentia-te perto, e tu longe,

tão longe que nem as estrelas conseguiam abraçar-te,

dar-te um beijo,

simples, tão simples como adormeceres no cansaço da vida,

e a vida é o esconderijo da dor,

habita em ti e de ti se alimenta...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 19 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:47
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19
Mar 14
publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:52

foto de: A&M ART and Photos

 

Pigmentados beijos de ti, Sereia adormecida,

Oceano retalhado dos teus lábios amanhecer,

mulher que sonha e inventa palavras nos muros de xisto ao luar,

regressa a ti a noite, e dela, todas as fotografias mais belas que se alicerçam no teu peito,

beijos, bocas renegadas e sem jeito,

árvores poisando pássaros apressados e apaixonados...

louca, tu, quando acordas e vês no espelho da poesia os seios desgrenhados do poeta,

inventas,

e finges orgasmos nos socalcos mergulhados em lágrimas,

e alimentas...

e sentes... sentes lá fora o deambular da chuva miudinha,

que os pigmentados beijos de ti..., Sereia adormecia, essa... constrói a neblina.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 18 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:45

17
Mar 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Liberto-me dos panfletos negros que habitam nos muros tuas mãos,

há pedacinhos de silêncio, pequenas gotículas de solidão invisíveis ao meu olhar,

escrevo-te, escrevo-te sabendo que hoje existe luar, e palavras impregnadas nos seus lábios,

e que... e que o amor morre, como eu, como tu, como... como os rios antes de adormecerem,

sonharem...

liberto-me percebendo que às palavras dar-lhe-ei o descanso eterno,

 

E que o meu envelhecido corpo, esse, coitado... cinza,

dispersa,

voando sobre os imaginários telhados de Luanda,

liberto-me,

sim, claro que sim... liberto-me dos panfletos negros,

sombrios, nuvens de chocolate mergulhadas em nocturnas estrelas sem pálpebras,

 

A cidade submerge da tua boca de cristal puro,

o vidro dos teus olhos... parte-se... e sinto-o descendo a calçada em direcção a uma rua sem saída,

uma penumbra fresca de água e estanho embalsamam o teu corpo em papel vegetal,

e oiço a tua voz em pequenos grunhidos...

como um calendário ardendo na fogueira do desejo,

e dizem-me que estou em liberdade.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 17 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:52

16
Mar 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Não sei quem és, como te vestes e o que pronuncias, não sei se és um pássaro em decomposição, uma árvore solitária que habita os jardins da cidade adormecida, tão pouco se és a madrugada, o Domingo quase a terminar, a noite a nascer, não, não sei o que és e quem tu és,

Como posso eu sorrir às tuas lágrimas? Percebes-me agora? O Domingo em término, a noite quase noite, a crescer e a erguer-se na tua boca de cristal, e quase não oiço as tuas palavras de porcelana, e quase, a janela da paixão a encerrar-se eternamente, para sempre e só..., hoje tu, amanhã eu, depois as pedras e os canteiros, as flores, os pinheiros de uma infância entre o mar e a montanha, sinto-me prensado, sinto-me um muro argamassado pela tristeza,

Quem sou?

Não sei, nunca soube, talvez... talvez no Domingo que vem, talvez amanhã, talvez no descanso das roldanas, uma corda em direcção ao sexto andar, subo as escadas, sinto-me cansado, os cigarros, a idade, a saudade, novamente os cigarros,

Oiço-os como testemunhas de uma fogueira em evaporação,

Cigarros vadios, como-os vivos, oiço-te e não sei

Quem sou?

Sim, e tu, quem és, o que fazes aqui, aqui dentro de mim?

Uma esplanada vazia, e regressa o dia da Poesia e eu sem poemas para ti... porque, porque não sei quem és, o que fazes dentro de mim, deixas-me cansado, ausente, embriagado, e sei que algures nessa cidade vives e choras, e recordas meia dúzia de cartas, poucas palavras,

E eu, eu sem poemas para ti,

Quem sou?

O vento, sim o vento, pensas que eu sou o vento? Sim, penso, imagino-te sentado na esplanada vazia, apenas uma mesa e quatro cadeiras, conversas com duas ou três sombras, bebes uma bebida invisível, pegas num livro, voltas a poisa-lo sobre a mesa, depois vais à gabardina e puxas de um pequeno caderno, acendes o cigarro, desorientadamente...

Quem sou?

O cigarro acende-se a ele próprio, ganha vida como as tuas palavras, sofre e chora, e acredita na tristeza como acredita que tu, sim tu

O vento!

Sim eu, percebo que me imagines como o vento quando se alicerça na minha pele, sim como o vento, quando rodopia em redor dos meus seios, e tu, e tu

Eu?

Oiço a voz, oiço-os a arder na escuridão de um final de Domingo, amanhã, amanhã talvez..., amanhã talvez “uma esplanada vazia, e regressa o dia da Poesia e eu sem poemas para ti... porque, porque não sei quem és, o que fazes dentro de mim, deixas-me cansado, ausente, embriagado, e sei que algures nessa cidade vives e choras, e recordas meia dúzia de cartas, poucas palavras”, e eu, e... eu,

Só, eu e uma corda em direcção ao sexto andar...

E eu, eu sem poemas para ti,

Quem sou?

 

(ficção)

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 16 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:37

foto de: A&M ART and Photos

 

Dizias-me que eras o vento das canções de Outono,

e eu, eu acreditei, escrevi palavras para essa canção...

desenhei beijos para os teus lábios,

dizias-me que te chamavas “menina do mar” de do mar... não eras nada,

nem onda, nem pôr-do-sol... nem jangada,

um dia fizeste-me acreditar que eras livro de poesia,

eu tentei, tentei ler, folhear... e não eras nada,

apenas uma esbranquiçada página com um palavra... “saudade”,

dizias-me que tinhas na mão a caneta das minhas palavras,

eu, eu sentia-a no meu rosto, como o vento das canções de Outono,

e eu, eu acreditei na tua pele com flores de papel,

e tudo o que me disseste... hoje, hoje escrevo-o na rocha embalsamada na montanha do “adeus”.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 16 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:41

Participação de Francisco Luís Fontinha – Alijó.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:01

15
Mar 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Inventas o prazer nas folhas pergaminho do desejo,

há uma caneta de tinta permanente pronta em ti a escrever,

sombrear o teu corpo de espuma em finíssimos traços de madrugada,

há silêncio nas tuas pálpebras enquanto imagino o poema que vou declamar no teu olhar,

e a cidade adormece sobre o travesseiro da paixão,

inventas o amor, inventas-me na escuridão,

simplesmente... me inventas, fazes de mim uma triste flor, a palavra que teimo em não pronunciar,

inventas na minha boca as caricias infinitas dos círculos do amanhecer,

e depois,

e depois... e depois desapareces nos carris que o aço alimenta, e desenhas na parede do medo o ciume,

amar, não amar, ser amado... não ser amado, … sou eu,

inventas o prazer e o meu corpo é um esqueleto de veludo...

 

Um barco em esferovite das brincadeiras de menino,

inventas o prazer disfarçado de naftalina, dentro do armário apodrecido,

dás-me cigarros para eu fumar e fumo-os como se precisasse de fugir,

correr, subir a montanha... e voar em ti,

sorrir... dou-me conta que deixei de sorrir, de viver... como viviam os pássaros na aldeia,

inventas as bonecas que dormem nos musseques, e dos zincos telhados... a solidão,

há entre nós a melódica canção, o corpo mergulhado em lençóis de linho,

a janela de onde é impossível olhar o mar, o Mussulo... e a Baía,

Inventas-me nos quadriculados cadernos, fazes de mim uma equação trigonométrica,

sem resolução,

um barco, dizes-me que sou um barco...

que inventaste para te divertires enquanto não regressa a ti o sonho e a noite e a insónia toma conta dos teus lábios...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 15 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:54

Foto de: A&M ART and Photos

 

Preciso de um nome para saborear a tua pele,

qualquer um, apenas um nome, uma palavra, vã... uma palavra retirada da ardósia da tarde,

preciso de uma madrugada para pincelar o teu rosto no espelho do luar,

qualquer luar, qualquer noite construída do nada, uma só noite,

e quando amanhecer, finjo que sonho, finjo que no meu tecto habitam estrelas em papel,

finjo... finjo que do amor crescem palavras, e apenas uma será escrita na tua pele...

preciso de um corpo, preciso da tua pele que ilumina o teu corpo,

uma só, palavra, desenho, ou... ou som melódico como as árvores casadas,

e finjo, e sei que algures habitas nas janelas da cidade,

uma só palavra, uma só cidade,

preciso,

preciso de uma palavra, de um só nome, para ornamentar a tua pele de oiro...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 15 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:39

14
Mar 14

Com participação de Francisco Luís Fontinha.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:37

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