Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

19
Abr 14

Participações de Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:52

18
Abr 14

quatro bancos em madeira

um jardim em desassossego

três árvores

… duas belas mulheres

uma Primavera

com plátanos de brincar

quatro bancos em madeira

dois corpos em translação

quatro seios em rotação

… e duas belas mulheres

duas mulheres em solidão

quatro bancos em madeira e uma gaivota em papel

 

um barco com pálpebras de chocolate

um marinheiro vestido de vampiro

duas belas mulheres

e quatro bancos em madeira

percebem na insónia a sinfonia dos candeeiros com braços de prata

um jardim em desassossego

um Oceano desgostoso

triste...

tão triste como os fios de nylon que aprisionam o sexo dos pássaros

uma Primavera inventada pelo poeta dos farrapos amanhecer

senta-se nos quatro bancos em madeira...

… acaricia as duas belas mulheres e as três árvores

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:07

A bateria balança sobre o palco da tempestade

o baterista entra-se no meu silêncio

e absorve-me,

os sons melódicos do Jazz correm nas minhas veias desconexas

há marinheiros na minha mão que procuram o Oceano da loucura

e absorvem-me,

e sinto-os como se fossem a Primavera

correndo

caminhando sobre a límpida areia de veludo,

 

A música acorrenta-se aos meus braços de porcelana

choram as cordas da guitarra friorenta dentro de um cubículo sem janelas

e eu, eu transformo-me em palavras,

há poemas no meu peito com sabor a clandestinidade

beijos em pergaminhos que sobejaram da saudade...

e absorvem-me...

pequenas réstias de limalhas de aço

brincam nos meus sonhos...

e absorvem-me,

 

A bateria não se cansa dos meus fantasmas

o baterista suspenso no arame de papel que constrói a madurada

e absorvem-me as sonoras lágrimas da manhã,

sei que no teu rosto de madeira habitam fotografias a preto-e-branco

e outros suspiro sem nome,

homens desejando a morte

e a morte que não cessa de gritar...

absorvo-te enquanto desenhas nos seios da literatura sons geométricos das noites embriagadas.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:48

17
Abr 14
publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:45

oiço os tentáculos do meu sonho

quase que lhes toco

acaricio-os como se fossem o rosto negro da mulher com asas de saudade

converso com eles... mas existe um cortinado de estanho que ofusca o fumo da solidão

sei que do outro lado do cortinado vives e tentas agarrar-me

mas eu voo sobre os telhados de vidro que tens no teu cabelo

oiço-os

quase que lhes toco...

e acordo e percebo que apenas há noite e pedacinhos de sombra acorrentando o meu corpo...

sou ou não sou um corpo navegante?

um corpo... em busca do cais do sossego

oiço-os e toco-lhes oiço-os e toco-lhes oiço-os e toco-lhes

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:26

16
Abr 14

porque choram as pedras entranhadas na pele da tua mão?

pergunto-me e não percebo porque há círculos com olhos verdes,

quadrados com sorriso de gaivota sem nome,

pergunto-me...

porque existe no teu pulso a corrente em aço,

a dor, o sacrifício de um simples abraço,

porque escreves o teu poema nos meus olhos,

se eu,

cego... não o consigo ler,

gritas-me e sussurras-me palavras...

e eu, eu não as quero ouvir,

porque tenho a certeza que choram as pedras entranhadas na pele da tua mão.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:06

15
Abr 14

nos teus lábios habita o solstício da paixão

sinto o odor cansado do teu cabelo voando sobre as sombras da solidão

há lágrimas no teu sorriso

há insónia na tua noite construída de trapos e cortinados negros

e dos teus olhos

o silêncio das caricias desenhadas pela mão de um coração

sinto-o

e oiço-o

como os sonhos que vivem dentro de mim

nos teus lábios habita o sofrimento envenenado

e lá fora alguém grita o teu nome

sons metálicos cambaleando sobre a dor

traços

triângulos

círculos com olhos verdes

nos teus lábios a imagem da criança em pequenas viagens

espera pelo machimbombo

um homem puxa-o com um cordel imaginário

e de rua em rua

e de casa em casa

leva mangas e cacimbo e capim

tem nas mãos a dócil fotografia de uma cidade perdida

o mar alicerça-se às pernas do menino...

a criança vê nos zincos telhados outros meninos

meninas

e sonhos como os dele...

sonhos com sabor a papel...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 15 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:57

14
Abr 14

a gaja das pernas altas

é uma chata

a gaja parece um morcego vestido de noite

uma lanterna embriagada procurando imbecis

ruas

portas

e janelas sem número de polícia

a gaja das pernas altas

é uma chata

pinta os lábios de amanhecer

dá beijos com sabor a madrugada

a gaja é perfeita

 

ruas

portas

janelas

e dos cabelos da gaja das pernas altas...

 

crescem... crescem algas envenenadas

flores

árvores secas

e... e pássaros moribundos

morrem

cinzas

e a gaja das pernas altas...

... é uma chata

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:48

https://drive.google.com/file/d/0B4FQ5T6PGtJXN3Y0OEJuQnZETmc/edit?usp=sharing

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:15

13
Abr 14

desejo-te na saliva noite do amanhecer

perguntas-me se hoje é Domingo...

e eu, e eu não sei responder

ignoro o calendário e todos os horários que brotam do teu cinzento corpo

sou uma sombra que voa dentro de ti

noite

noite embriagada que embrulha o teu olhar

desejo-te... e canso-me de te desejar

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 13 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:15

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