Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

12
Out 14

Com a participação de Francisco Luís Fontinha.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:30

11
Out 14

Estas telas assassinas

suspensas nas pálpebras nocturnas do sofrimento

um grito que voa sobre os telhados de vidro

uma voz rouca

alicerçada às cores incendiadas do teu olhar

um corpo que range

e sofre...

e espera desesperadamente...

que regresse a “arte de matar”

sem fôlego

rompes a geada do amanhecer

sobes as escadas íngremes do silêncio,

 

E cais... e cais sobre a calçada do Adeus!

 

Cinco pedras de xisto

poisam na tua algibeira de sonífero falsificado

acordas

e o cansaço saltita nos teus ombros

como uma corda de nylon que aprisiona o navio da dor

sem marinheiros, sem mulheres vestidas de paisagem,

 

Estas telas assassinas

que na tua mão circulam desejando enfrentar o medo

as palavras que tens nas paredes do teu quarto...

de nada te servem

são palavras

são versos

são telas assassinas

que a “arte de matar” inventou...

das tuas janelas vêem-se os malmequeres adormecidos

como cadeiras de vime esquecidas no jardim da solidão

um lago cumprimenta-te... e tu, e tu, e tu ficas feliz

como se fosses um pássaro com asas de papel doirado...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 11 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:48

10
Out 14

Este sismo que avassala o teu corpo,

esta espera... infinita,

esta cidade recheada de cansaços

e sombras prateadas,

esta tempestade sem nome

que atravessa as tuas mãos

e desagua no rio das lágrimas

como um pedaço de silêncio em tuas mágoas,

 

Este sismo travestido

que dorme nos teus cabelos...

 

Este sismo que avassala o teu corpo

e te engole como uma pedra mortífera,

finges que não,

finges... finges como o poeta,

dizes-me que está tudo bem,

e à tua volta,

uma cidade em revolta

uma cidade que me engana...

 

E te mata com espingardas de tristeza!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:12

09
Out 14

A água com que te embrulhas

pertence ao silêncio,

os meus braços que rejeitas

pertencem aos rochedos amorfos,

a noite... a ninguém pertence...

a noite é uma equação sem solução,

como a água com que te embrulhas,

a noite é um poema sem coração.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:20

08
Out 14

Este edifício envidraçado

que não cessa de chorar

esta noite húmida vestida de mulher

que não se cansa de gritar...

este cansaço teu

esta rua sem ninguém

este espaço exíguo

que ofusca o teu olhar...

esta cidade recheada de mendigos

como eu

assim...

procurando abrigos,

este teu corpo engraçado

que ilumina a sanzala do adeus

este teu desejo premeditado

que se enforca na terceira árvore do jardim,

este edifício doente

triste

e com odor a solidão,

esta cidade que me sufoca

e arde

no meu peito desassossegado...

sem me dizer... sem me dizer que hoje não há luar,

falta-me o lugar

e a estrada para caminhar,

e quando encontrar o rochedo da dor...

parar

e me sentar.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:01

07
Out 14

Hoje,

hoje um dia perfeitamente de “merda”,

 

tudo parece desabar sobre os meus ombros,

chove,

hoje,

hoje estás triste,

hoje,

hoje estás ausente...

 

hoje,

hoje percebi que em breve partirás,

e hoje...

eu, e hoje, eu sem paciência para as palavras,

odeio... as palavras,

odeio a arte de escrever,

 

odeio a literatura,

odeio a pintura,

 

hoje,

 

hoje...

 

hoje odeio a noite,

e os esconderijos nocturnos da solidão,

hoje,

hoje um dia sem memória,

hoje um dia sem história,

hoje... hoje sinto-me um prisioneiro das sombras do infinito...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:49

06
Out 14

O vampiro ensanguentado

é filho de um quadrado,

à noite, coitado, adormece empoleirado no cansaço,

e pela madrugada, acorda vestido de roseira,

nunca conheceu a mãe,

apenas existe uma fotografia pendurada no espelho do amanhecer,

e ao longe, e ao longe uma fogueira...

e no centro da fogueira... palavras que ele recusa ler,

é destemido, e é solitário,

o vampiro ensanguentado desiste de observar os plátanos

e os anzóis de papel, senta-se junto ao rio...

e sonha com os barcos de vidro,

 

apanha com a mão os pedacinhos mais frágeis do vento,

sorri, sorri porque acredita no luar,

o vampiro... ensanguentado...

é filho de um quadrado,

e detesta as tempestades de amar,

 

não sei, não sei se ele vai ler estas palavras...

 

terá de apagar a fogueira,

ir ao seu centro...

e das cinzas,

ressuscitar os corações de sofrimento.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:27

05
Out 14

Aqui, pareço um tresloucado corpo volátil,

um rochedo impregnado de saudade,

aqui, sou uma montanha sem árvores,

uma ribeira sem poesia,

aqui, pareço uma equação trigonométrica sem solução,

um círculo,

o quadro... semelhante a uma prisão,

aqui, todos os pássaros são loucos,

aqui, todas as mulheres são em papel crepe,

e voam,

e partem...

aqui,

aqui, há um rio sonâmbulo que apelidaram de “DOR”,

e não há barcos com olhos verdes...

porque aqui, aqui, eu pareço um tresloucado corpo volátil,

que espera o regresso das mãos trémulas do teu sofrimento...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 5 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:44

04
Out 14

Em meu redor os grãos de areia do deserto,

as serpentes de vidro que trepam as árvores do meu quintal,

ao longe sei que existe uma praia,

morta,

triste,

embrulhada nos lençóis do sofrimento,

minto,

finjo sorrisos quando apenas são desenhos abstractos,

palavras amorfas e escritas por um louco,

e no meu corpo suspendem-se os tentáculos da dor,

um carrossel de chocolate que assombra os lábios do mendigo,

não sei porque existo,

porque minto,

porque vivo... porque me escondo...

e no meu corpo... a montanha do adeus em desespero.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 4 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:42

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:14

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