Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

16
Nov 14

as migalhas são pedaços de inveja

da miserabilidade dos enlatados caixões de porcelana

há sempre uma janela não encerrada...

há sempre uma porta sem saída

não iluminada

há sempre uma rua finíssima

tão fina como as fatias de poesia

que o poeta deixa num banco de jardim.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 16 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:41

15
Nov 14

invento-te nos nocturnos cortinados da insónia

acaricio-te sabendo que não passas de um mísero desenho da minha autoria

não sei desenhar...

invento-te nas noites de água invisível

quando sei que lá fora...

… distante de mim

há uma tempestade de desejo em rotação

calculo o seu centro de massa

calculo o seu centro geométrico...

e descubro que és uma invenção de uma mísera folha de papel

sem odor nem corações

nem beijos

 

apenas um desenho meu

 

invento-te nas madrugadas cinzentas

quando todas as luzes dormem

e sonham...

e... e morrem nos meus braços

 

cacaréus

pedaços de ossos

cabelos teus que deixaste nos lençóis clandestinos de uma pensão sem nome...

e em frente à janela

o rio

a fome

 

cacaréus

cacaréus

… e cacaréus...

 

pedaços de nada sobejantes de uma noite em construção

ofegante tu

ofegantes os transeuntes em desalinhado cansaço...

e eu... e eu apenas queria desenhar-te no espelho do guarda-fato

 

e depois... e depois vestir a gabardina e fugir dos teus lábios

como um louco

sem perceber porque chove hoje...

sem perceber porque choram os pássaros do teu olhar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 15 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:55

15
Nov 14

Significas o quê?

o simplificado destino sem abraços ao cansaço,

se vives... grita,

chora,

constrói das lágrimas sorrisos de criança,

dança,

medita...

significas o quê?

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:54

Não encontro a simplicidade do teu cabelo,

sinto-te cansado,

distante das clarabóias da saudade,

habitas esta cidade...

como se ela fosse um abrigo negro,

ou...

ou um poço tão profundo como a tua dor,

não encontro as tuas mãos...

quando me levavas a olhar os barcos,

e me dizias... e me dizias que um dia...

regressaríamos...

sem regressarmos nunca mais,

não encontro a simplicidade do teu cabelo

que a tempestade alicerçou ao luar...

sentado...

imaginas o silêncio embriagado estonteante contra as frestas do sofrimento,

não falas...

nada em ti é vida,

… ou alegria de caminhar junto ao mar,

imagino a tua partida...

e não sei o que escrever... depois,

amanhã,

… ou... ou amanhã ao quadrado...

e dentro de mim... as palavras em rebelião nos cortinados desta triste cidade...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:49

13
Nov 14

Tenho pena de ti, meu amor,

trocaste a liberdade por um pedaço de plástico...

um cartão,

um obscuro e amorfo ramo de árvore,

vendeste a felicidade ao diabo,

como se habitasses no interior de uma matriz composta,

insensível...

abraças-te à equação metafisica sem solução

que deambula na ardósia do teu olhar,

disfarçada de abutre em desassossego...

passeias-te pelas avenidas mais chiques de Lisboa,

e no entanto... és tão pobre, e no entanto... és tão imbecil,

como o pavimento nojento dos porcos em revolta...

há dias de “merda”,

dias em que até a lua nos “fode”,

noites tranquilas...

e noites inquietas,

e no entanto... és tão pobre, e no entanto... és tão imbecil,

tenho pena de ti, meu amor,

quando não quero amor,

quando não quero paixões de areia

e marés sem marinheiros,

tenho pena de ti...

e percebo que as palavras são um jogo desonesto,

sem saída, nojentas...

a janela quebrada

ou a pedra no charco da miséria...

tenho pena,

de ti,

meu amor!

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:56

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:40

12
Nov 14

As máquinas enraivecidas

como vozes sem dono vagueando no areal

o sexo morre quando regressa a preia-mar e levita o caixão da insónia

um pequeno soluço

uma fina película de vento poisa sobre o corpo dela

e não existem gaivotas nas proximidades

a cortina nocturna do desejo... desce ao silêncio corpo fervilhando

dás-me a mão

e em finíssimos esqueletos de palha voando em direcção ao cinzento telhado de xisto

alcançamos o beijo

desenhado

decalcado nos teus lábios em flor,

as máquinas não sentem nem sabem o significado do “AMOR”

e tal como eu

um exército de máquinas desconhece o significado do “AMOR...

queria ser um barco passeando pela cidade adormecida

deitar-me quando todos acordam...

e acordar quando todos se deitam

levemente e aos poucos

alicerçar-me à minha cama desgovernada

sem nome

sem nada...

queria ser um barco... um barco em papel descolorido

amargo

sofrido

um barco simples

mais simples do que o “AMOR” das máquinas e do exército de máquinas...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:03

11
Nov 14

a espingarda de pau em sentido

o homem alicerçado a ela...

treme de frio

e tomba no chão ácido do íngreme tesão do luar

as estrelas são esferas de papel

mergulhadas em clítoris envenenados

a espingarda embriagada

grita

constrói espirros de chocolate

e soluça

como uma louca cidade

que deambula entre carris inanimados

e comboios drogados

 

a espingarda dispara um pequeno silêncio

que acorda o homem que habita o chão ácido do íngreme tesão do luar

e o homem sem o saber...

acredita na liberdade...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 11 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:42

A noite é um finíssimo fio de sémen

em decomposição,

ele se move no teu corpo

como um falso esqueleto de chapa,

a noite não tem fim,

a noite às vezes... é chata,

como o amor... um fluxo de iões suspensos nos teus seios de cartão,

a noite se mata,

e alicerça aos abutres nocturnos sem esperança,

ainda a noite é uma criança...

e eu... e eu em desespero,

como o vilão da ruela sem saída,

perdido na cidade do desassossego,

escrevo aos barcos sem regresso as palavras de morrer,

a noite quando é comida num vão de escada,

como uma mulher sonâmbula,

como uma mulher não amada,

a noite é um finíssimo fio de sémen

em rotação,

ela não sabe que há no meu corpo farrapos...

não catalogados

esquecidos numa qualquer esplanada,

a noite não é nada...

a noite apenas se diverte como um poeta que espera a madrugada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 11 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:48

11
Nov 14

Foda-se esta vida de morrer,

foda-se a loucura e o saber,

foda-se a poesia e a literatura,

foda-se o silêncio

e a Primavera

e a escravatura,

foda-se o meu corpo embalsamado,

foda-se o cansaço,

a rua deserta e sem transeunte embriagado,

fodam-se os barcos,

as caravelas

e os cavalos de aço.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:46

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