Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

14
Dez 14

Não tenho medo das tuas garras

não tenho medo das tuas hélices de marfim

que habitam em mim

não tenho medo da tua boca

dos teus lábios

do teu sorriso farsa

não tenho medo das tuas palavras

nem dos teus braços

não tenho medo da forca

da espingarda...

mas tenho medo...

da palavra “amo-te”!

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 14 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:01

13
Dez 14

Esta rua que me alimenta

esta rua que me corre nas veias

esta rua sem sombras

esta rua sem candeias,

tem plátanos embalsamados

tem gaivotas em papel

esta rua que me alimenta

esta rua dos silêncios embriagados,

das plumas enfeitiçadas

esta rua construída com sorrisos de vento...

a minha rua tem casas

e... e flores em sofrimento,

esta rua das noitadas

e dos cinzentos olhares com odor a poesia

na minha rua habitam canções...

e palavras em agonia,

ai... esta rua dos alentos em evaporação

e das barcaças em melodia

esta rua é vida

... esta é a rua da fantasia,

sinto a sinfonia

das tristezas disfarçadas de madrugada

esta rua nunca está cansada

esta rua... esta é uma rua apaixonada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 13 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:48

Sou o carrasco adeus

da sonolência saudade

tenho nas mãos o papiro

e no olhar

uma espada invisível

não percebo porque choram as acácias

e os plátanos da minha terra

não percebo porque gritam os rochedos

que se alicerçaram aos meus braços...

se eu sou frágil

se eu... se eu sou um simples fio de luz

embrulhado numa lápide sombreada,

 

sou o carrasco adeus

da sonolência saudade,

 

sou o presente envenenado

que deambula pela cidade

sento-me junto ao rio

e imagino barcos em papel

que não regressam mais...

quem parte

quase sempre não regressa...

como os comboios de areia

esquecidos no mar

sou o carrasco adeus

da sonolência saudade

… sou a madrugada antes de acordar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 13 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:59

12
Dez 14

Estas palavras

são as tuas lágrimas

disfarçadas de anoitecer,

estas palavras

pertencem ao teu corpo

suspenso na escuridão,

estas palavras

são as tuas lágrimas...

entre as palavras... as tuas palavras de viver,

estas palavras

são as raízes do teu coração,

palavras, palavras... palavras em vão.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:32

11
Dez 14

Na prisão do “Adeus”

velhas flores são torturadas pelo silêncio da luz,

não existem janelas, não existe uma porta,

frestas,

ou... ou literatura,

lá fora, na rua,

ouvem-se os gritos dos pássaros e das abelhas,

há um subscrito negro onde alguém escreveu...

“para a morte”

as velhas flores não precisam de saber qual é o significado da morte,

elas são velhas flores torturadas...

pelo silêncio da luz,

(e a morte é o anoitecer de cheiros e sons

que só as velhas flores conseguem desenhar

nas húmidas paredes da prisão do “Adeus”)

na prisão do “Adeus”

velhas flores são torturadas pelo silêncio da luz,

não existem janelas, não existe uma porta,

frestas,

ou pedaço de areia com sabor a mar...

e as grades de ferro transformam-se em madrugada vestida de branco.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:01

10
Dez 14

Sou um estranho teclado

dentro do teu peito,

sou a manhã na boca da insónia...

e perco-me nas tuas mãos

como um pássaro em sofrimento,

surpreendo-me com o teu olhar entranhado na escuridão,

pareces um cortinado invisível,

uma espingarda de papel...

 

sou um estranho teclado

dentro do teu peito,

sou os rochedos incinerados

que escondem as tuas palavras,

e nunca tenho tempo para abrir a janela

do teu coração,

sou um emaranhado de estrelas

sem passado nem canseiras,

 

Sou um estranho...

… no teu peito,

visto-em de negro

e confundem-me com a noite,

sou o silêncio dos teus cabelos

e a cartilha dos teus medos...

sou a clarabóia do teu sorriso

quando lá fora...

 

gritam o meu nome em vão,

e eu, e eu nunca tive um nome,

uma pátria,

uma bandeira,

 

nem... nem paixão...

 

gritam o meu nome em vão,

e o teclado estranho

que habita no teu peito...

chora... chora como a bala de um canhão.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:47

09
Dez 14

As manhãs são límpidas tristezas
Que só o vento consegue abraçar,
Parar no semáforo e olhar a rosa mais bela
Do jardim de transeuntes em movimento,
Tem no sorriso a bandeira da paixão
E nos lábios…
A doçura inseminada das palavras,
Do vermelho…
O verde verdade
Da esperança…
As manhãs são límpidas tristezas
Que vergam o frágil esqueleto da cidade,

Não tenho tempo para desenhar
A saudade na mão de quem me espera,
Não tenho vontade de abrir a janela
Deste quatro latas cansado,
As manhãs são límpidas tristezas
Que só o vento consegue abraçar,
São rosas transeuntes suspensas no mar…
São palavras ignoradas,
Sombras deitadas na estrada,
As manhãs
São… límpidas tristezas
Sem tempo para amar…





Francisco Luís Fontinha – Alijó
Terça-feira, 9 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:23

08
Dez 14

Não sabia que o teu nome

era apenas um nome

uma solitária palavra

sem alma

sem coração

sem... sem barcos ao anoitecer,

 

não sabia que o teu nome

era apenas um nome

sem corpo

sem sombra...

 

não sabia que o teu nome

era apenas um silêncio

sem imagens

sons

ou... ou fotografias

em constante mutação,

 

não sabia

não sabia que o teu nome

era apenas uma assombração

uma cidade esquelética voando no pôr-do-sol,

 

(Não sabia que o teu nome

era apenas um nome

uma solitária palavra)

 

como as pálpebras do poema antes de ser o poema,

 

não sabia que o teu nome

era apenas um nome

um soluço mastigado nas sílabas do Diabo...

não sabia

que... que o teu nome

é como a areia húmida

e o mar apaga todos os seus desenhos

como a morte... apaga todos os seus corpos...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:04

Sou um ignóbil cemitério de cinzas

recheado de falsos amanheceres

e de tristes madrugadas,

sou um pirata

que tem medo da noite,

sou... um pirata

de lata,

que chora e branca

nas sanzalas da infância,

sou uma sombra com odor a insónia

que não se cansa de lutar,

sou um ignóbil cemitério de cinzas,

 

prateadas

amadas

e cansadas...

 

arde a cidade do meu corpo

como plumas de sílabas enraivecidas,

tenho um livro na algibeira

sem palavras...

sem... sem brigas, sem... sem vírgulas,

sou um covarde vestido de luar

sou um desalmado com medo...

com medo de amar,

 

sou um ignóbil cemitério de cinzas

recheado de falsos amanheceres

e de tristes madrugadas,

 

sou a bailarina do desejo

em busca do sexo barato,

sou rua,

sou... sou lagarto,

sou... sou prostituta,

sou a âncora dos teus abraços

quando emerge em ti a sinfonia da paixão,

e todo o amor morre em tesão...

 

simplificado

os meus lábios inseminados pelos teus seios,

esta cidade que saltita no meu amor...

e me acolhe nos seus rochedos.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:57

07
Dez 14

Oiço as tuas palavras mastigadas em prazer,

sinto o círculo das tuas coxas alicerçado ao centro geométrico do meu corpo,

somos apenas um ponto perdido no espaço...

traçamos parábolas na cintilante areia do Mussulo,

e há na tua pele de neblina adormecida... flores,

gaivotas,

revoltas,

palavras gritadas em vão...

e gemidos rochedos ao pôr-do-sol,

não habito em ti... mas há barcos nas nossas veias,

cansados de amar...

marinheiros sem pátria,

toda a gente nos apedreja com silêncios

e medos desgovernados,

somos um ponto em movimento,

temos coordenadas,

e... massa,

a luz que nos ilumina esconde-se entre a chuva miudinha do fim de tarde,

e toda a gente,

em delírio...

chicoteando as nossas sombras,

em pedaços de fotografias embriagadas pelo suicídio...

oiço as tuas palavras mastigadas em prazer,

nesta cidade em ruínas...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 7 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:40

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