Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

21
Jan 15

Captura de ecrã de 2015-01-21 21:09:06.jpg

 

http://www.carmovasconcelos-fenix.org/LOGOS/LOGOS-12JAN-2015-T10.htm

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:14

Pintura_63_A1_Nova.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

não imagino a tua ausência

meu amor

sou o espelho do sofrimento

da tua luta

imagino as tuas lágrimas de silêncio

no pergaminho sono da clandestinidade

vais morrer

e nada tenho para escrever na tua lápide....

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:51

20
Jan 15

Esta paixão não arde

não termina

não existe,

 

e teima em suicidar-se...

 

ausente

sinto-me

árvore

pássaro doente

sinfonia

caixão...

melodia enfaixada nas palavras do Adeus

não pensa

e não quer

beijar o mar

como se o mar fosse os lábios de uma mulher

sem nome

 

e teima em suicidar-se...

 

o poema

o poeta

e todas as flores do jardim de pedra.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:01

19
Jan 15

Pintura_64_A1_Nova.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Encosto-me a este infeliz candeeiro

com sorriso de néones,

percebe-se do seu esqueleto enferrujado

o cansaço da noite,

há nele as carícias invisíveis do pavimento térreo

e das flores aprisionadas aos seus braços,

uma corda acorda

e passeia-se junto ao rio,

fumam-se cigarros nas sombreadas alvenarias de verniz

que o vento transportará para o silêncio dos teus seios,

uma lágrima de enxofre cai suavemente sobre o meu peito...

e amanhã não haverá alvorada,

encosto-me...

e escondo-me das tuas garras,

dos teus lábios com sabor a palavras,

e...

e encosto-me ao teu corpo

das canções à lareira,

hoje... hoje é Domingo?

não sei... meu amor!

uma corda acorda

e dança dentro da madrugada cinzenta

como uma balança...

velha e rabugenta.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:55

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

desenhei o teu corpo com os meus dedos de acrílico desassossego

escrevi nos teus lábios o poema da morte

e a separação inventada que só a noite compreende

abri a janela e ao longe os pincelados cheiros do Tejo

que aos poucos se entranhavam em mim

como uma gabardina de aço

e sem eu o saber

tu... desmaiavas na tela do ciume

desenhei

e escrevi

o suicídio perfeito

do poeta sem nome...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:20

19
Jan 15

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Só desejo fazer amor contigo

e embrulhar-me nos teus lábios,

desenhar círculos verdes

nos teus seios,

mergulhar dentro de ti

como uma nuvem apaixonada,

uma cidade embriagada

pelo silêncio do sexo,

a beleza de um olhar na tela íngreme das tuas coxas,

e à janela, um copo de uísque abraçado aos meus sonhos,

princesa das montanhas orgânicas do abismo...

perdoai-me o meu desejo e a minha vergonha.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 18 de Janeiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:34
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publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:14

Não sabia que o teu corpo era um rochedo sem asas

que tinhas nas mãos um barco em papel

sem marinheiros

sem passageiros

depois

acreditei que habitavam no teu peito os beijos nocturnos dos pássaros

sem árvores

sem... sem marinheiros

a tua casa parecia uma cidade de mendigos

recheada de sombras

e cordas invisíveis

havia o ruído em pedacinhos gemidos dos teus lábios

o sangue que vagueava nas tuas veias...

dormindo como dormem os rios e as ribeiras

sem passageiros

depois...

sem árvores

despindo as montras iluminadas das ruas acrílicas

doentes

e cordas

acreditando nas tuas fáceis palavras

deitavas-te no meu cadáver ausente

encostavas a cabeça na ombreira da minha língua

e esperavas

sonâmbula

humilde

como uma porta apaixonada

fumávamos os cigarros dos jardins de vidro

entrelaçávamos as mãos no luar

e mais nada...

e esperávamos pelo acordar da manhã

trazias na garganta um petroleiro

sem gaivotas

a morte

os cães inquietos nos socalcos dos teus seios...

voavam como silêncios de nata

tenho pena do teu corpo de rochedo sem asas

a tília embriagada na sucata diurna da solidão

havia sempre no teu corpo

uma chama

claridade fundeada na lentidão dos círculos

que a madrugada desenhava no teu púbis

tínhamos a paixão na algibeira dos corvos

o negro

as paredes cintilantes do teu sorriso

voavam

alegremente em mim

como um diário sem rumo...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 18 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:49

18
Jan 15

Absorvo o tesão intelectual,

tenho nas palavras o orgasmo da insignificância,

os momentos perdidos nos teus braços...

não me esperes hoje, meu amor,

sinto a maré do teu sémen voando entre personagens invisíveis...

e equações matemáticas,

apaixonadas,

pois claro,

e ainda,

o prometido automóvel do sorteio da TV,

e no entanto, sofres,

com a minha ausência.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Sábado, 17 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:23

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Verdes olhos ao mar salgado,

esta jangada de silêncio

fundeada nos braços do regresso,

às palavras a simplicidade do corpo em evaporação,

as mãos pela calçada abaixo,

sem medo,

verdes olhos ao mar salgado,

triste vida de transeunte acorrentado

às pálpebras do sofrimento,

o eterno desejo em forma de crucifixo

suspenso no gesso cansado,

a alvenaria dos teus seios...

sentem o amanhecer,

e da rua,

os murmúrios dos candeeiros apagados,

perdidos,

sempre à espreita da madrugada,

não paro,

não tenho coragem de olhar a lua,

o transatlântico enferrujado

com janelas de cartão

e portas de amar,

aos teus lábios...

o beijo dos verdes olhos ao mar salgado.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 17 de Janeiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:41

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