Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

18
Fev 15

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

São as noites perdidas nos teus braços invisíveis,

há nos teus lábios o sabor da partida,

entre beijos esquecidos,

e tardes amigas,

sentidas nebulosas mãos no meu rosto,

quando cresce em ti a solidão das marés em fúria,

são as noites,

que te trazem ao meu esconderijo,

sem espelhos adormecidos num quarto de pensão...

às palavras o silêncio,

quando desnuda te debruças sobre a madrugada,

e sentes... o meu corpo em cinzas navegando no teu ventre!

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:53

18
Fev 15

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Partiram, levaram o miúdo dos calões e o caixote em madeira,

Alguns tarecos, pouca coisa e fotocópias de fotografias envenenadas pelo silêncio, na algibeira, o amor, o desejo do mar, dos barcos e das coisas

Simples?

Os livros,

E das coisas sem nome,

Sombras de mangueira?

E beijos, das coisas travestidas de saudade, dos livros lidos nas entranhas do desejo, caminhávamos entre quatro círculos de luz, abraçavas-me como se abraçam os pássaros, as acácias e os pindéricos cabelos de nata,

Amanhã amo-te...

Partiram, fugiram das noites embriagadas com direito a limonada e a sexo, construíram cubatas nos musseques da alegria, saltaram muros e muros, tinha medo das curvas da vida, adivinhava os beijos como sendo abelhas em flor, sobre as casas sem nome, idade, e

Sexo?

Só depois das seis,

E sonhos, de um dia regressar...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:30

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

A morte suspende-se-lhe no peito

como uma âncora de luz atravessando a solidão dos dias

os minutos em euforia

depois de passar a tempestade

e nas mãos poisa uma caneta invisível

sem tinta

palavras...

os minutos desassossegados como cidades a arder

as cancelas do silêncio caminhando junto ao mar...

sós

nas lânguidas canções de areia

e nos atormentados sonhos da madrugada,

 

Uma vírgula sem Pátria

a aldeia encalhada nos seios da alvorada

uma flor cansada

na lapela

morte

depois regressam as saudades

e os beijos de papel...

e no peito nascerá uma lápide de sombra

como todas as lápides de sombra nos sótãos dos loucos amantes

em corpos incandescentes

do amor

e da paixão...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:53

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Com a participação de Francisco Luís Fontinha – Alijó

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:46

17
Fev 15

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Estes desenhos sem sentido, abstractos, doentes, malditos... sinto-o e finjo que ele não existe, não o quero ver, não me apetece falar com ele, amanhece nos teus braços e não me dou conta da liberdade das tuas mãos, das palavras dos teus lábios... e dos teus beijos geométricos,

A rima é de quem a trabalha,

Geométricas cintilações de cianeto, o azoto e os cigarros,

E tu?,

Amanhã amar-me-ás como hoje?

Mas hoje... não exuste, um caixote em madeira, alguns tarecos e meia dúzia de fotografias,

Todas,

Todas a preto e branco...

 

/ficção)

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:55

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Os cigarros mortos

na boca do bandido

o silêncio adormecido

nos beijos da madrugada

os cigarros arrependidos

e apaixonados...

pela cidade desgovernada

como um livro... na lareira da solidão...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:54

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http://miraonline.pt/entrevista-poetica-com-o-escritor-francisco-luis-fontinha/

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:39

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Nasce o poema no teu olhar, recomeçam as sagradas lâmpadas do fugitivo sem destino, imagino-me um transeunte sem identificação, Pátria... nasce o poema no teu olhar cambaleando lâminas de azoto e perpétuas flores em papel, as lágrimas da inocência impregnadas no teu rosto, sangrento, fulminantes palavras inscritas na alvorada,

Amanhã regressarei aos teus braços,

Não, não quero Deus nas minhas mãos, não...

Braços,

A alvorada inseminada na fala dos desassossegados orgasmos de plástico, a claridade sideral poisa sobre os teus seios, meu amor,

E o amor?

Braços,

Palavras,

O corredor embriagado de flores e árvores caducas, na algibeira um beijo e algumas migalhas de suor que só o teu corpo sabe desenhar em mim, abri a janela, puxei de um velho cigarro, a tosse, a idade da tosse... sobre os meus ombros,

Tens de deixar de fumar...!

Nunca,

(Navegas na morte, habitam em ti as saudades da partida, o regresso sem saída, absorto, infinitesimal adormecido numa lápide de sonho, partimos, chegamos, o frio entranhou-se-nos nos ossos, esquecemos as palavras, e todos os momentos, a loucura imaginária dos vinhedos escrevia nos rochedos... o xisto disfarçado de “Alimento para Cães”, as ruas inúteis, fúteis, onde ”putas e drogados” dormiam para fugirem ao vicio, a emigração dos corações de areia, a sedução, o prazer quando o teu corpo balançava na alegria, o sótão vazio, o telhado encravado nas ombreiras da paixão,

Amo-te, escreve ela todos os dias no espelho embaciado,

Amas-me?

O que é o amor, meu amor...

Palavras, poemas, poetas... & mortos sem cabeça, Amas-me? O que é o amor, meu amor...

Pedra, madeira...ou papel quadriculado,

Oiço

“Foda-se o amor”)

Nunca oiço, as tuas exclamações do prazer, e quando o teu corpo se desfaz em cinza, eu, sou absorvido pelos teus olhos, navego desde que cheguei, dentro de um caixote em madeira,

Alguns tarecos, fotografias e fios de sémen ainda por descobrir, os calções emagrecidos na madrugada, o desejo desenhado nas montanhas do “Adeus”...

Até logo, meu amor...

E nunca,

O que é o amor, meu amor...

Os meus desenhos?

E tu,

Uma porcaria como todas as porcarias da minha vida,

 

 

 

(ficção)

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:05

15
Fev 15

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Perdi-me nas aldeias incendiadas do prazer,

desassossegadamente, o teu corpo entrelaçado nos meus braços de xisto,

descendo cada socalco meu,

entre nós... o rio

e a saudade dos Sábados folheando livros,

e beijos,

perdi-me nas aldeias incendiadas do prazer

como se fosse um pássaro sem Pátria,

fugindo da lentidão das coisas belas,

os cigarros em tristes sorrisos de esferovite...

boiando como um carnívoro na liberdade das palavras,

com sotaque a náufrago envelhecido,

 

Sinto no corpo,

as garras e os fios de luz da loucura,

as cabeleiras falsas voando nos meus ombros

em chocolate embriagado,

os teus lábios pincelados de amanhecer...

e todas as janelas encerradas,

dentro de um caixote em madeira,

tarecos, miudezas e esqueletos de vinil,

a viagem sem regresso,

quando os seios da noite

mergulham nos alpendres floridos

e tu... junto à lareira da paixão,

 

Um livro,

Embrulham-se em nós as personagens da escuridão,

da tua mão

sinto

em pequeníssimas fatias de luar

a saudade e o perigoso feitiço do amor,

o livro saltita em nós,

come-nos e acende todas as lanternas do ciume...

não venhas, hoje, meu amor,

um livro,

e embrulham-se

em nós as lâminas da poesia...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 15 de Fevereiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:30

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(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

As tristes viagens ao cacimbo da infância, o sombreado rosto no pavimento térreo e sem nome, as mangueiras no retrato do meu avô, de machimbombo na mão, abria-se o portão de entrada, um beijo, infinitos abraços... e o sentar numa cadeira de vime,

O cansaço disfarçado de saudade, a tela do silêncio em pequenos suspiros de amor, o sexo mergulhado nas frestas do passado, a morte e a loucura, e uma equação irresolúvel, menstruada nas sílabas da madrugada, não sei o significado desta noite,

Faltam-me as palavras,

E os desenhos,

Faltam-me as palavras certas para a tua boca de verniz, e quanto aos desenhos

Uma porcaria,

Sem nexo, abstractos como o teu sorriso, e tristes como o final da tarde junto ao rio, O Tejo embriagado nos meus lábios, os esqueletos de palha ardendo na maré, e uma porcaria

Os meus desenhos?

E tu,

Uma porcaria como todas as porcarias da minha vida,

E tu,

A “Divina Comédia”...

Entre as minhas pálpebras de arroz,

 

 

Francisco Luís Fontinha . Alijó

Domingo, 15 de Fevereiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:10

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