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Cachimbo de Água

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Francisco Luís Fontinha 8 Mar 19

A frieza com que inventas os pássaros do meu jardim, contente por te ver e teres desenhado um sorriso na vidraça do fim de tarde,

Talvez, amanhã, depois de amanhã, eu regresse às tuas mãos de seda,

As árvores,

Porquê, Francisco?

As árvores recheadas de medo, como eu, que partas brevemente, talvez amanhã, eu regresse aos teus lábios de amêndoa doirada, mas hoje, minha filha, hoje, não.

Sabes?

Diz,

Quando nasci, num Domingo de Janeiro, congelaram-me o cérebro e ainda hoje está suspenso nos Céus de Luanda,

Geladinha…

Então rapaz, essa CuCa?

Vai já, patrão, vai já,

A frieza com que inventas palavras que eu escrevo na boca, os alicerces da solidão nas tuas coxas de veleiro em papel, os pincéis despedidos por mim, ontem, o mar estava revoltado, ontem, eu estava revoltado, mas hoje,

Então essa CuCa, rapaz?

Vai já, patrão, vai já…

E, esse fatídico Domingo de Janeiro morreu ao Pôr-do-Sol…

Porquê, Francisco?

As árvores recheadas de medo, como eu.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

08-03-2019

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