Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

21
Mar 11

Apaixono-me pelo vento em construção

Nas ruas da cidade

Ao longe de mim ausente

A claridade do amanhecer

Quando faz amor com o rio que se esconde

Na tua mão aberta

Deserta

Que me esquece não me responde

 

Nas minhas veias entras ao acordar

Sonho cansado de adormecer

Em teus lábios de arco-íris

Cheiro a hortelã na minha cidade

 

O suor escorria-te

Pelos seios de mármore

E eu, sentado nas margens do rio,

Olhava-te como se fosses o meu veleiro

 

Mísero hóspede de mim

Foguetão em descolagem rumo ao teu olhar

- Estou cansado

Perco-me sem perceber a distância a que te encontras

Se é que ainda te encontras dentro de mim

Deixo todos os meus ossos no teu sorriso

Que me persegue me ilumina

E de manhã me vai acordar

 

Acordas-me da noite vigorosa amante

Do teu silêncio

Refém do teu destino

Promessa quando prometi amar-te

 

Mas não te amo

Não sei amar as ruas duma cidade

O vento em construção

Dissipa-se na minha paixão

 

Deixo os teus seios de mármore

Despeço-me do rio

Fujo da claridade que tu apontas para mim

Malditos semáforos das ruas desta cidade

Gaivotas empoleiradas nos teus cabelos

Com amanhecer embriagado pela tua voz

E sinto na minha sombra

A paixão do vento em construção

 

Sei que me escondo de ti

Aliada flor do meu cansaço

Tentando equilibrar o centro de massa

E no meio de papeis rabugentos

Procuro a equação necessária para te beijar

- É tarde estou cansado

As ruas da cidade adormecem no vento em construção

E tu, e eu, desistimos de sonhar…

 

 

 

Luís Fontinha

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:43

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