Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

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Dez 11

Estar só dentro de um cubo de vidro

E janelas para o inferno

Lá fora extinguem-se as árvores e os pássaros e o mar

E nas faces transparentes das paredes de vidro

Uma criança não se cansa de chorar

Desistindo aos poucos de sonhar

 

Uma criança a ser engolida pela garganta do mar

Que se extingue juntamente com as árvores e os pássaros

E o cubo de vidro

Sorri quando lhe tocam e o acariciam

 

Que faz um louco dentro de um cubo de vidro?

E eu? O que sou eu comparado com um cubo de vidro

Ou com a criança que não se cansa de chorar…

Ou com a criança que desistiu de sonhar?

E o que sou eu comparado com aqueles que acariciam e tocam

No cubo de vidro?

 

E ele sorri quando lhe tocam

E ele sorri quando o acariciam

 

Serei eu então o louco sentado dentro do cubo de vidro?

Ou foi o cubo que enlouqueceu?

Ou é a criança que está louca e chora junto às faces transparentes

Das paredes de vidro?

 

E se eu for o cubo de vidro

E dentro de mim um louco sentado

A olhar a criança que chora junto às faces transparentes

Das paredes de vidro

Com janelas para o inferno

Lá fora extinguem-se as árvores e os pássaros e o mar

 

Estar só dentro de um cubo de vidro

E janelas para o inferno

E ele sorri quando lhe tocam

E ele sorri quando o acariciam

 

E ele enlouqueceu no fundo do mar

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:39

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