Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

10
Fev 12

Abraço-me à solidão dos cigarros

E dou-me conta das mangueiras

Poisadas nos meus braços

Cansados

Sem forças para acender a noite

Sem forças para folhear um livro de poemas

 

(conheço a solidão provocada

Sei que existe a solidão desejada

E cresce em mim a solidão

Nem provocada nem desejada

Cresce em mim a solidão dos cigarros)

 

Sem forças para folhear um livro de poemas

E dou-me conta das mangueiras

Tombadas no pavimento com cheiro a cacimbo

E sorrisos de criança

 

Abraço-me à solidão dos cigarros

E dou-me conta das mangueiras

Poisadas nos meus braços

 

E dou-me conta que não tenho braços

E que os livros de poemas arderam

Na sombra das mangueiras

E jazem na garganta do mar

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:30

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