Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

19
Abr 12

Qualquer coisa estranha à janela

olho as árvores imaginadas

por um miúdo em calções

olho-lhe os braços suspensos no cacimbo

e ele acena-me com um sorriso ténue

antes de adormecer a tarde

 

e enquanto me acena

vai imaginando árvores enormes quase a tocarem o céu

árvores que rompem a montanha

árvores que alguém esqueceu

num jardim de aldeia

ou perdidas numa cidade

sem janelas

sem portas

sem casas

uma cidade construída em papel

e com muitas palavras

a cidade dos livros

 

a cidade dos livros

com gajas poeticamente desejadas

e poeticamente amadas

como as flores dos jardins de Belém

 

uma cidade sem cigarros

e sem rimas

e todas as personagens

 

coisas estranhas à janela.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:12

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