Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

24
Jun 12

ao longe

longe muito longe

longínquo

vivem as palavras “acreditar” e “ter esperança”

ao longe

corro

corro desalmadamente

e não lhes consigo tocar

 

ao longe

longe na ardósia da saudade

e deixei de acreditar

e deixo de ter esperança

 

ao longe muito muito longe

longe vivem as palavras

longe dormem as sílabas

de longe longínquo vai o meu corpo à fornalha da solidão

do dia e da noite

as luzes suicidam-se no precipício do oceano

 

ao longe

choro e chora e choro

e mingua e minguo e mingua a charada da vida

na cidade pobre

da cidade perdida

e deixei de acreditar

e deixo de ter esperança

da solidariedade

 

(palavra filha da puta)

 

e deixei de acreditar

e deixo de ter esperança

que um dia

acorde o sol dentro de mim

que um dia

seja sempre dia

debaixo dos plátanos do jardim

que um dia que um dia as estrelas sejam de papel.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:25

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