Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Jun 12

A minha vida

sem tecto para olhar as estrelas

a minha vida

sem paredes

onde viviam janelas

a minha vida sem portas

onde dormiam flores

com cheiro a incenso

 

a minha vida

(uma merda em dois actos)

uma rua sem saída

ou a puta da sarjeta no centro da avenida

(horrível)

o rio sem barcos o rio sem sargentos o rio sem travestis

é triste este rio que chora e não desiste

 

a minha vida

(uma farsa literária)

com fotografia para o mar

onde brincam os afogados

e os desesperados que dizem que a minha vida

é uma encomenda sem morada

perdida

nas mãos do senhor Opiário...

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:42

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