Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

08
Jul 12

Deixar fluir o silêncio

dentro da câmara escura do medo

cerrar as janelas com os cortinados de solidão

e das paredes pendurados corações

sonâmbulos os homens

quando vão para a guerra do amor

moribundas palavras de cansaço

das tardes tuas mãos em cetim

comboios de esperma

as tuas simples palavras de ausência

debaixo do mar

as sandálias de infinitos perfumes de rosa purpura

 

deixar de acreditar no velho mar

e fluir o silêncio

das palavras em delírio desejo

 

o medo das sombras

tuas mãos em cetim semeiam na aurora crepuscular

o medo

das paredes prensadas em papel e cartão e carne teu peito

das amoras com açúcar e leite

das paredes prensadas

os cones de cinza com o sabor a incenso

onde ninguém te conhece

ou deseja

ou espera antes de terminar o dia

numa cama de pensão

no sótão da insónia

 

(deixar de acreditar no velho mar

e fluir o silêncio

das palavras em delírio desejo).

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:05

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