Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Jul 12

Entre os parêntesis da miserável vida que tenho

cultivo no livro das memórias palavras de incenso

e rosas vermelhas cansadas de que as olhem e desejem

cansadas como algumas mulheres

rosas para serem olhadas

e ficarem esquecidas numa jarra de vidro

ou de cristal

e a mulher é para ser manuseada e amada

como as tardes de primavera junto ao mar dos pontos de interrogação

dizem que sou louco

pobre

muito pobre

 

mas tenho um barco

e o mar é só meu

dizem

 

dizem que as rosas são lindas

dizem que sou louco

pobre

muito pobre

 

deixem as mulheres serem amadas

e manuseadas como as rosas vermelhas

 

e dizem

e têm medo de me mostrarem

e dizem

dizem que as rosas são lindas

dizem que sou louco

pobre

muito pobre

e por essa razão tenho de viver na clandestinidade...

 

e dizem

dizem que o texto termina no ponto final

(nos meus texto não coloco ponto final)

e dizem

dizem que nunca terminam

como as rosas que vivem dentro dos livros

e que roubei num jardim de Agosto

com os olhos de amêndoa

e os lábios de maré salgada

gostavas do mar

e das árvores

e dos pássaros do inverno

 

e dizias

e dizias que eu era pobre

muito pobre

tal como hoje

como ontem

e como amanhã o serei

sempre

sempre eternamente pobre

(fala baixinho para ninguém te ouvir... XIU...).

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:19

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