Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

27
Jul 12

O tesão da palavra tesão

em busca do pénis flácido da noite

entre os joelhos da melancolia

o poema do gelo

esquecido la lareira de carvão

com as sílabas de orvalho

e a vagina de geada adormecida nos braços da puta da morte

mesmo à porta de entrada do quarto direito

 

(entre os muros curvilíneos do outono)

 

a vizinha do quarto esquerdo

que não me deixa dormir

oiço-lhe os gases e o rosnar da clarabóia

oiço-lhe os orgasmos fictícios que inventa quando percebe que eu estou em casa

e quero dormir

e sei que faz de propósito

que mais poderia ser?

Oiço-lhe todos os gemidos das frestas das quatro paredes de gesso

e das flores da amoreira

à deriva no silêncio do tecto do corredor

palavras de tesão

nas janelas do quarto esquerdo

 

vejo os barcos à janela

e a vizinha que teima em não me deixar dormir

em voos nocturnos para os caixotes de Odivelas

com pedacinhos de dedos de diamante negro

 

(acreditei em todos os barcos que vi

sobre as palmeiras da Baía de Luanda)

 

palavras de tesão

ardem nas algibeiras camufladas

em bocas

e coisas de poucas

 

título

para o poema de gelo

(precisa-se de trabalho)

às palavras sem tesão

difíceis de sobreviver à noite de Lisboa

um homem com calças aos quadradinhos

e óculos de fundo de garrafa de vodka

ontem

nos cigarros miseráveis dos barcos com gengivas dentro de rimas

os sexos das manhãs de amanhã

suspensos na varanda do quarto esquerdo

a puta da morte

 

 

no tesão das palavras

e das rimas que constroem o poema de gelo.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:39

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